Toda a Escola Tem Partido

Neutralidade existe no máximo no núcleo de um átomo. Mas certamente não na vastidão da complexidade humana. Muito menos na Escola.

Todo o currículo pressupõe uma tomada de decisão (ou de partido) entre aquilo que deve ser aprendido e aquilo que deve ser deixado de fora. Toda a prova e toda a reprovação marcam bem a distância intransponível entre o mestre e o aprendiz.

Toda a Escola tem partido. Qual é o partido da Escola sem partido? Essa resposta aterroriza porque vislumbramos uma realidade pior que a que já está posta. Uma realidade de censura em nome de uma falaciosa imparcialidade.

Isso me leva a outro ponto. Qual é o partido da Escola com partido? Qual é o modelo de Escola que vamos defender?

A Escola do medo, das provas, das reprovações, do castigo? A Escola que divide os alunos entre os que sabem e os que ignoram, que por isso marginaliza e exclui? A Escola que decide pelo aluno aquilo que ele deve (ou não) aprender?

Esse modelo de Escola tem muitos vieses e muitas cores. Ela pode ser azul, verdeamarela, preta ou vermelha. Ela pode ser corroborada pela justificativa crítico-social, de esquerda, propositiva e sedenta de mudança. Isso acontece quando o professor exerce sua ‘autoridade’ para filtrar quais conteúdos ele julga serem transformadores da realidade. Ele dá nota e reprova. Ele divide. Ele também acredita que seu aluno seja uma folha em branco.

Essa é a Escola que vamos defender em contraposição ao projeto Escola sem Partido?

O ser humano não precisa ser ensinado a modificar a realidade. Quando minha mãe recebeu a notícia de que estava grávida de mim eu tenho certeza que minha potência de modificar a realidade de uma vida inteira foi enorme. É nossa natureza modificar a realidade, porque interagimos com ela. Assim como é a nossa natureza aprender. Como quando aprendemos a engatinhar, sozinhos. Ou quando aprendemos os alimentos que nos agradam e os que não nos agradam. Ou quando a humanidade aprendeu a fermentar alimentos para que eles durassem mais, por tentativa e erro e hoje temos a cerveja, o cacau, o queijo e muitos outros.

Essas são duas coisas não precisam da orientação de ninguém pra existir. A Escola que eu defendo é um espaço de encontros. Onde o aprendizado ocorra livremente, na troca, na tentativa e erro, na curiosidade, nos afetos, na felicidade, na brincadeira. Não dentro de uma sala de aula, onde só um tem o poder da fala, que concede vez ou outra à aqueles que estão ali para serem preenchidos de conhecimentos. O quadro negro (ou branco) é uma boa analogia pra isso. Ele está ali, imóvel, vazio, pronto pra ser recheado de conteúdos.

Eu quero uma Comunidade-Escola VIVA! Dizer que quero viva e com partido é redundância, mas eu quero! E entre todas as escolhas de partido disponíveis, eu escolho o partido da AUTONOMIA. Eu NÃO posso escolher pelo outro! Se eu faço isso eu estou adestrando.

Eu quero uma Escola que seja tão, mas tão diferente que a gente decida chamar só de encontro! Ou de Vida!

E você, qual partido quer tomar?

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