Para todos os escritores que se expressam pelo humor…

Beatriz
Beatriz
Nov 17, 2018 · 2 min read

Há dois tipos de escritores: os que se autocriticam e os que se autodebocham. Para o segundo caso, a tarefa mais árdua possível é tentar produzir algo sério. Como todos os escritores você sente, e sente demais. Sente cada emoção em toda a extensão do seu ser, mas o que define em qual grupo você se insere é a sua linguagem pessoal.

É fácil ler poesia e se identificar: a leitura é uma absorção, é passiva. Você lê Camões e entende seus versos segundo o amor que possui. Você se identifica, é compreendido, é como se sua casa bagunçada fosse arrumada por um desconhecido. E o prazer é imediato, porque você é um escritor. Dramático, fatalista, uma florzinha com sentimentos complexos, como qualquer outro da classe.

A questão é quando você lê um texto sério, de um autor sério, com palavras sérias sobre sentimentos sérios – e aquele texto te causa uma inveja, gritando para que você tome uma posição ativa e produza algo semelhante.

Mas sua linguagem simplesmente não é aquela. Porque a parte passiva de sua mente é um coração pulsante, uma sala em chamas. Mas a parte ativa é um pequeno diabinho debochado. É assim que você transmite seu interior ao mundo: sob o leve manto do humor, sempre tão acolhedor.

Beatriz

Written by

Estudante de Direito, apaixonada pelos grandes impactos de poucas palavras.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade