O que andar de SUP me fez refletir

Ano novo, metas novas. Emagrecer, matricular-se na academia, viajar mais, sair daquele trabalho chato que dá mais dor de cabeça que qualquer outra coisa. São muitas as resoluções que já escrevi no papel e depois de um mês nem lembrava mais ou simplesmente largava de mão. Tenho uma alma inquieta. Gosto de me sentir em movimento e de me abrir para novas experiências. Acredito que quando me permito ao novo eu abro uma janela de oportunidade para transformar minha vida e ressignificar minha visão de mundo. Já me ressignifiquei várias vezes e sei que ainda vou ressignificar muitas mais. Por mais positiva que seja a mudança ela sempre vem acompanhada do medo. É um processo essencial e ao mesmo tempo doloroso. Crescer dói. Mudar dói. O importante é perceber que é através desse processo que conseguimos nos desenvolver para nos tornarmos a melhor versão possível de nós mesmos. O legal é que cada ano que passa eu enxergo que nada é absoluto, nada deve ser estático. A mudança está presente em todas as esferas da vida e não adianta tentar se esconder dela.

Eu gosto de fazer coisas novas sempre que posso e decidi que não necessariamente precisam ser coisas extraordinárias e mirabolantes (talvez seja por isso que muitas listinhas de ano novo não vão para frente), como mudar de país, fazer a trilha do caminho de Santiago de Compostela ou mochilar pelo Sudeste Asiático (está no topo do meu bucket list). Podem ser coisas mais simples e acessíveis no momento que me encontro, como por exemplo fazer stand up paddle em Copacabana. Nunca tinha feito SUP e queria muito saber a sensação de me equilibrar numa prancha no meio do mar. Chamei duas amigas e fomos para a praia.

Na primeira vez ficar de pé em cima da prancha, com o mar balançando, não foi fácil. Eu não achei. Precisei encontrar o equilíbrio entre ficar de pé e remar. Cai várias vezes. Me levantei em todas. É difícil, principalmente quando é a primeira vez numa experiência nova, porque não sabemos direito o que fazer para conseguir seguir em frente. Tive que confiar nos meus sentidos e ouvir meu corpo para que eu conseguisse remar e permanecer em pé. Achar o equilíbrio também é se permitir cair no mar. Foi aí que fiz a correlação entre andar de SUP e a vida. Acredite, tem suas similaridades. Cair é inevitável mas levantar é uma escolha. Se quero continuar a seguir em frente é essencial que eu levante e suba na prancha de novo. Só não cai quem não se move, quem se prende a uma posição/ambiente/trabalho/relacionamento (fill up the blank here) com o falso pensamento que permanecer na zona de conforto e não se mover é menos doloroso que se arriscar no novo e realizar o movimento. Muitas vezes aquilo que nos prendemos, a zona de (des)conforto, é um arame farpado bem grudadinho nos nossos pés, que machuca nossa pele e para aguentar a dor precisamos de mecanismos anestésicos para que não seja sentida. Vale lembrar que a partir do momento que a pessoa escolhe se anestesiar ela não sente nada, nem a dor que quer esconder nem a alegria que gostaria de viver.

Entre os intervalos de remar, cair e subir no SUP eu me sentei no meio da prancha e me permiti apreciar o momento. Era final de tarde e o sol estava refletindo na água. Foi bonito de presenciar, junto com a vista de Copacabana então.. combinação perfeita! Me sentei para olhar o reflexo do sol no mar e curtir a vista do morro da Urca. Foi nesse momento que me lembrei do quão abençoada eu sou e de abraçar a vida como uma jornada de conhecimento e aprendizado. Não é sempre que me lembro dessas bênçãos, às vezes estou muito mergulhada em sentir falta do que não tenho do que agradecer aquilo que a vida me presenteou. É, a vida não é aquela “realidade” editada das redes sociais, onde todo mundo é bonito, viajado e com o relacionamento perfeito. Acreditar nessa ilusão também é uma forma de amarrar o arame no próprio pé. O caminho é diferente para cada um e não existe uma regra default de para qual lado ir. Desenvolver e continuar desenvolvendo esta consciência não foi tão simples quanto parece, mas de extrema importância na limpeza da lente. Crescemos para poder escolher nosso próprio caminho, seja ele qual for.

Ainda sobre os “ensinamentos” da tarde de SUP: é normal e também necessário cair no mar, só assim se aprende a encontrar o equilíbrio e ficar de pé. É impossível uma trajetória em linha reta ou sem tombos, a vida tem sua porção de estradas esburacadas e bifurcações. A prancha pende pra um lado depois leva para outro e, lógico, quem faz a escolha de permanecer ou trocar o caminho somos nós. Afinal de contas, não dá para terceirizar o cuidado da nossa própria vida, a responsabilidade é nossa.

Bianca G. B.

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