Bianca Barreto
Jul 21, 2017 · 2 min read

Quanto tempo tem seu tempo?

O tempo é o tempo que você dá pro tempo. Ahn? O tempo cronológico, hora, dia, mês, ano.. é uma convenção matemática que criamos para medir aquilo que é abstrato. Como que se mensura uma coisa que é intocável? Instantes podem parecer meses, horas podem ter a sensação de estarem se arrastando por dias e semestres passam com um piscar de olhos.

A manifestação do tempo, como cada um de nós percebe, depende da intensidade que damos para aquilo que vivenciamos. Estar presente de alma e sentimento, e não só de corpo, é difícil porque estamos constantemente contando os minutos para a sexta-feira ou torcendo para que as férias cheguem logo. Criamos a convenção social da distração para amortecer a percepção do nosso tempo. Ué, já passamos da metade do ano? Nem percebi…

Viver esperando o próximo momento é um desperdício de vida presente, é aguardar ansiosamente o futuro que um dia vai ser passado — olha que ironia.

Consigo exemplificar esses momentos de “presença”, onde eu saio do automático e me faço presente, quando viajo ou faço algo que não estou habituada. O tempo não se arrasta nem passa em um piscar de olhos, ele é vivido da melhor forma possível, com intensidade. Me faço presente porque quero perceber o que estou vivendo.

Assim que me formei na faculdade fiz um mochilão de um mês sozinha pela Europa. Peguei meu diploma e dois dias depois estava lá eu, no aeroporto, aguardando minha conexão para Londres. Parti para uma jornada transformadora. Foi uma das raras vezes na minha vida que eu não criei expectativas, meu objetivo era ir, ver o que ia acontecer e deixar as coisas fluírem. A única coisa que eu sabia é que não voltaria da mesma forma que fui. Me transbordei com as diferentes cores, cheiros, paisagens e culturas que experimentei. Vivi e percebi coisas novas o tempo todo, me adaptando às mudanças culturais e de temperatura das cidades que eu ia descobrindo pelo caminho. Além dos lugares, também conheci pessoas de variadas nacionalidades, costumes e hábitos que me mostraram novas perspectivas de mundo, abrindo meus horizontes. Percebi que a mente é maleável como um elástico e que sempre há a possibilidade de expansão.

Esta experiência, além de me proporcionar conhecer lugares, pessoas e me (re)conhecer, me fez compreender que o tempo não se limita aos ponteiros do relógio. É algo intangível e incontrolável. No entanto se nos permitirmos estar de fato presente, um minuto pode durar muito mais que apenas 60 segundos.

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