As Cores das Ruas

Foto: Reprodução Facebook/Paxart

Grafite: a arte que inspirou e uniu os artistas do Paxart

(Obs.: Vou utilizar esse espaço para postar textos que faço na faculdade.)

Texto feito para a disciplina de Projeto Experimental I em junho de 2015.

Bianca Bueno, Patrícia Varela, Viviane Flores e Raikard Andrade.

O grafite é uma forma de expressão artística que permite criar uma linguagem própria para interferir na cidade. Ao aproveitar os espaços públicos, o artista pode manifestar a sua crítica social. Segundo o grafiteiro gaúcho Jonathan de Leon Peres, conhecido como Jotapê, trata-se de “uma arte que utiliza o spray e a rua como suporte, e que nem sempre pede autorização, pois é uma intervenção espontânea”.

Ponto de partida

As inscrições em grafite são conhecidas desde o Império Romano, quando o carvão era utilizado para escrever palavras de protestos nas paredes dos monumentos. Mas em 1970, ele ganhou destaque em Nova Iorque, quando alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade. E na mesma década, em plena ditadura, o grafite chegou ao Brasil, numa época conturbada da história, dominada pelo poder militar e pela censura. São Paulo foi o berço do grafite, que surgiu como uma arte transgressora.

Em Porto Alegre. (Foto: Reprodução Facebook/Paxart)

Inspiração x Transformação

Toda a arte é uma manifestação livre, e sua inspiração surge de diferentes formas. É o que se constata com o grupo de grafiteiros do Paxart, em especial com Paula Brandão Streit, conhecida como Plim. Para ela, não só as oficinas são fontes de inspiração, mas também as pessoas com quem conviveu e trabalhou no início da carreira. A grafiteira hoje é publicitária e graduada em Artes Visuais, portanto buscou na academia aperfeiçoar a sua arte. Para Jotapê, que é autodidata, a inspiração veio das histórias em quadrinhos e dos super-heróis. Mas, o convívio com os pichadores e o fascínio de ver o seu nome estampado pela cidade o impulsionaram a comprar as primeiras latas de tinta. E assim conseguiu transferir os desenhos que estavam em seus cadernos para a parede. O grafiteiro buscou um caminho mais curto para a sua formação e fez cursos de Design Gráfico e Ilustração Digital. O grafite, quando envolve projetos encomendados, se transforma numa arte planejada, pois é necessário montar uma apresentação para o cliente. Então, segundo Plim, na hora de grafitar na rua é preciso ter um esboço com a ideia para que o conteúdo tome forma.

São Paulo x Porto Alegre

São Paulo é a cidade brasileira que mais estimula essa arte. Em outubro de 2011, foi inaugurado o Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo (MAAU-SP), constituído de um conjunto de 66 painéis de grafite instalados nas pilastras que sustentam o trecho elevado da Linha 1- Azul do Metrô. Em Porto Alegre, nos últimos anos, ocorreram grandes mudanças no meio do grafite, que vão desde a melhoria na qualidade dos produtos — as marcas boas de spray ficaram acessíveis — até o reconhecimento do trabalho. “Muita gente começou a pagar para ceder espaço, porque é caro pintar”, explica Plim. O Paxart foi um dos grupos que ajudou a pintar o túnel da Conceição no ano passado, numa iniciativa da Prefeitura, mas a grafiteira acredita que é importante também a iniciativa do grafiteiro propor projetos.

Jotapê, Plim e Celo em exposição “As Cores da Rua” em junho de 2015. (Foto: Raikard Andrade)

O Grupo Pax

Quando Plim e Jotapê entraram na cena do grafite, essa arte não era tão conhecida como é nos dias de hoje. No começo, além da falta de reconhecimento, havia dificuldades em função do restrito conhecimento teórico e da pouca experiência na área. Também faltava agilizar os contatos para divulgar o trabalho e poder vender. E isso veio com o tempo, aliado também com o conhecimento de como administrar o trabalho.

A experiência de cada um com viagens nacionais e internacionais também contribuiu para a formação do Paxart. E ao perceber que faltava um espaço profissional para atender clientes interessados pela arte do grafite, Jotapê, juntamente com o sócio Marcelo Pax — o Celo — fundaram o grupo, unindo os artistas que tinham o mesmo perfil de trabalho. Em seguida, Plim e Moisés Tupinambá — o Motu — foram convidados para integrar o grupo por terem estilos diferentes de arte, o que resultaria num trabalho inovador. Hoje o Paxart conta com grafiteiros maduros, de estilos diversos, que fazem do seu trabalho um diferencial do meio.