CADA UM SABE A DOR E A DELÍCIA DE SER O QUE É

Esses dias, me lembrando de momentos da infância, recordei da crença que mantinha de que no momento em que ficássemos profundamente triste o mundo todo ficaria triste conosco.
Um dia após meu padrinho ter falecido eu ainda sofria e me lembro de ligar a TV no qual passava o Bom dia e Companhia. Yudi e Priscilla tão alegres e eu me perguntava como eles podiam estar tão felizes se me sentia tão triste. Eu tinha uns 9 anos.
Foi então que eu descobri que só a gente se mobiliza profundamente com a própria dor. No máximo, as pessoas próximas e amadas, mas como a gente mesmo, só a gente sente.
Experienciar a dor, a tristeza são sensações tão únicas como ser tomado pela alegria, pela paixão. A alegria de passar no vestibular. As “borboletas no estômago” ao estar com quem se quer bem.
Por mais que compartilhemos a forma como sentimos, elaboramos e lidamos com tantas sensações — o que é importante: viver é se relacionar — a maneira como essas formas de ser e estar no mundo se constituem ao longo da vida são exclusivas a cada um.
E, isso pode ser bonito ou pode ser difícil; também pode ser bonito e difícil ao mesmo tempo.
“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.”
Cabe a quem está de fora respeitar essa coisa tão singular que forma e demarca a experiência de cada sujeito: a subjetividade.
