MÃOS À OBRA
O sentido da minha vida

Alguns meses atrás, dentro do meu processo terapêutico, minha psicóloga me perguntou qual o sentido da minha vida dentre outras questões. Fiquei uma semana pensando nisso para na sessão seguinte responder qualquer coisa clichê.
Passada muitas outras sessões a pergunta era refeita e eu sempre me despistava da questão. Um certo momento minha terapeuta parou de me perguntar diretamente e acreditei ter superado essa questão, era algo “bem resolvido”.
Ledo engano.
Refletindo sobre isso, percebi que esses últimos meses vivi o tempo todo envolvida nessa questão. Entender o sentido da minha vida estava em cada passo dado. Estava nos meus versos e linhas, nas minhas relações, nos meus amigos, na minha família, na minha formação, no meu estágio, nas minhas alegrias, tristezas e crises. Sempre ali.
Esses dias uma colega que conheço pouco, mas com quem me conecto muito me disse que eu passava uma ideia de segurança. Minha primeira reação foi pensar: “Como alguém tão inseguro que está sempre tremendo na base passa segurança!?”. Ilógico. Mais uma questão para refletir.
Mergulhada nessa reflexão, vi que essa não era uma percepção apenas dela. Muitos amigos me dizem isso e até pessoas que eu mal conheço. De que forma se constroem esses vínculos de confiança e de consequente segurança?
Há algo que se constrói nas relações que vai além do que pode ser dito: é vivido.
E aí volto a questão inicial que inconscientemente busquei o tempo todo responder — dentro e fora de mim — o sentido da minha vida é construir sentido. Não é buscar sentido: é construir.
Eu vivo isso todos os dias.
Tem dias que se constroem mais e outros menos, mas todo dia é trabalho de construção e tentativa de entendimento. E, minimamente, no que me é possível e permitido, contribuir na construção de sentido do outro.
Faz tempo tento ser real e verdadeira através disso. Já estava entendido apesar de até então não muito bem elaborado.
Enfim, é isso.
Mãos à obra.
