por vezes demais senti a estranheza de me olhar no espelho
e esperar no reflexo algum mapa
algo que decifrasse algum sentido na falha da minha sobrancelha
alguma pista capaz de indicar uma conexão 
algo substancial que ligasse os pontos de fora com os de dentro
ou até mesmo algum defeito irreparável
algo que justificasse o desconforto

apesar de jamais obter resposta alguma
depois de anos olhando um reflexo que não me apontava direções
hoje eu vejo a versão mais honesta que eu já fiz de mim
a carcaça mais confortável que já habitei
a criação própria que não se esconde atrás de quilos de poeira
que não espera se olhar sem marcas de dedo no reflexo
que toma café de manhã encarando os próprios olhos
e que não diminui um centímetro pra caber em moldura nenhuma

é a versão que fica rouca de gritar: eu estou aqui

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