Coragem, delicadeza e fraternidade - Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio

Eu não tive aulas suficientes sobre a história do Oriente Médio; lembro bem que eram em torno de 15 páginas da minha apostila de história da sétima série tratando do tema. Depois disso, voltei a estudar o assunto para o vestibular, dei uma revisada e foquei mais nos acontecimentos mais recentes na época, me preparando para o conteúdo cobrado em atualidades.

Em 2014, li que uma garota paquistanesa de 18 anos havia ganhado o Prêmio Nobel da Paz e fiquei curiosíssima sobre sua história; essa curiosidade se estendeu ao seu povo, sua terra e sua religião.

Ainda não tenho dinheiro e nem estou no momento propício para fazer como a Talita Ribeiro que, além das leituras, foi conhecer as personagens das histórias, pisar nessas terras e observar seus costumes. Então o que eu fiz? Viajei com ela. Não me escondi dentro da mala — bem que gostaria — mas sim, apoiei o projeto Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio no Catarse, garantindo meu exemplar do livro que terminei de ler hoje.

Primeiro, vou cumprir minhas obrigações de quase-designer e comentar do projeto gráfico do livro, que me surpreendeu demais! Que alegria pegar um material todo pensado visualmente, com ilustrações delicadas e tipografia criativa. Segundo a ficha técnica, a responsável pelo trabalho foi a Helaine Oliveira.

Seguindo, minhas impressões de leitura sobre um livro bem complicado de largar. Comecei despretensiosamente folheando umas páginas e acabei engolindo 50 delas numa vez, o texto super pessoal e íntimo da Talita é de uma coragem e beleza tocante.

Minhas partes favoritas são os capítulos "A casa das meninas" e "A casa das mulheres", onde a autora fala sobre as feridas de nossas irmãs, causadas pela guerra, pelo fanatismo religioso e (claro) o machismo. Aliás, achei muito feliz a coincidência do nome Talita significar menina, originando-se da frase em aramaico “Talita, cumi!” proferida por Jesus para uma criança precisando de cura.

“O meu lugar é ao lado das meninas, que sofrem tanto com fanatismo religioso quanto com pretensioso machismo ocidental. Porque, apesar de todas as histórias terríveis que ouvi e dos desfechos sombrios dessa guerra, o que mais me impressionou foi o olhar curioso delas, que sobrevive a repressão e que resiste heroicamente a falta de perspectiva.” Talita Ribeiro - no capítulo Saudade, pág. 94

Quando me perguntavam qual era meu sonho de consumo eu dizia que era viajar o mundo inteiro. Como uma boa interessada em história, queria conhecer os lugares onde ela aconteceu. Posso dizer que esse sonho permanece, mas não da mesma forma. Agora quero conhecer quem está fazendo a história (e quem está sendo vítima dela), quero extrapolar os pontos turísticos e conhecer a beleza não arquitetada das expressões.

Só posso recomendar a leitura e dizer que estou animada para falar pessoalmente com a Talita, nesse sábado.

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