Desorganizada, não nego, arrumo se puder

Minha mãe não é apenas organizada, ela preza por isso, considera inclusive um sinal de respeito manter as coisas organizadas e assim, ela me ensinou desde cedo que organização é sinal de profissionalismo, maturidade e responsabilidade. Seu argumento mais frequente era que a minha vida seria mais fácil se eu fosse organizada — eu sofreria menos com perdas de objetos, esquecimentos de coisas importantes e teria um ambiente menos poluído para trabalhar e estudar.

Mas, o meu lado da moeda é bem diferente. Tenho uma teoria: existem pessoas que simplesmente nascem para serem organizadas ou tem mais facilidade para se manterem assim — é claro, não faço parte desse grupo de pessoas — o resto de nós se frustra tentando pelo menos, manter as coisas dentro do armário. A verdade é que eu tive altos e baixos com essa história de organização, já me entristeci muito por não conseguir e já abandonei a causa várias vezes.

Conforme eu fui crescendo, fui entendendo que a sociedade exige uma demanda de organização para poder funcionar e que, para atender as expectativas e ser um membro funcional dela, você também precisa se organizar em certo nível. Mas isso não torna nada mais fácil e inclusive só piora, a cobrança gera ansiedade, que gera procrastinação, que gera frustração.

Mas será que existem pessoas que nascem com facilidade para organização? Será que essa facilidade vem de uma educação recebida? Aliás, será que o “ser organizado” é algo que realmente pode ser ensinado?

Conversei com alguns amigos sobre isso; quanto à naturalidade da habilidade de organização a coisa ficou dividida: alguns disseram ser super natural, outros que precisavam se esforçar para se organizar e manter as coisas em ordem. E como isso aqui nunca teve a intenção de ser uma pesquisa científica, é lógico que não serve para provar nada.

Mas, o ponto alto dessas conversas era quando eu perguntava se a organização é algo que pode ser ensinado, a maioria deles dizia que sim, mas levantaram outros questionamentos importantes como: “até que ponto pode ser ensinado?”, “cada pessoa pode desenvolver o seu sistema de organização?”, “a organização está relacionada à metodicidade?” ou “existe uma diferença entre ser organizado mentalmente e ser organizado materialmente?”.

Pensando assim, a gente descobre uma veia desse assunto que não é pragmático, que é bem subjetivo e para colocar as coisas no lugar teríamos que ir bem a fundo, talvez nunca conseguindo colocá-las em caixinhas. Existem ainda aquelas pessoas que dizem só funcionarem na bagunça e que conseguem se sentir bem assim, mas isso nunca foi muito a minha situação, eu sempre senti que tinha alguma coisa me impedindo de ser mais produtiva.

A meu ver, a organização pode ser ensinada, mas não tenho certeza se pode ser aprendida por todos como um sistema universal, pelo menos, não esse conceito de organização como uma “mesa clean”, “armários arrumados por cor” ou “cama sem nenhum amassadinho”. E na verdade, isso realmente importa? A organização acaba, no final das contas, sendo um sistema individual, ou seja, pode ser que alguém entre no meu quarto agora e ache que está arrumado enquanto outro pode achar que não está suficientemente bom.

Acredito também que organização mental, de ideias e pensamentos, pode sim ter uma influência na organização material e de compromissos– tanto que costumam ligar pessoas criativas a desorganização, já li até estudos sobre isso, mas, de novo, é tudo muito subjetivo. Eu gosto de escrever para organizar meus pensamentos, tem gente que gosta de desenhar, sair para caminhar ou simplesmente conversar com alguém.

É claro que existem sistemas de organização, que são convencionados ou que foram estudados e desenvolvidos para facilitar para todos e esse tipo de coisa precisa ser ensinada para que, como eu disse lá em cima, os membros de uma sociedade a façam funcionar. Então, a minha mãe está muito certa, uma mesa de trabalho organizada transmite profissionalismo, mas não o define. A organização é um plus, é um algo a mais que temos a oferecer para os outros, mas antes de tudo, para nós mesmos.

Chegamos em 2016 e ao escrever minhas resoluções de ano novo a tal da organização volta aos meus pensamentos, porém, ela voltou repaginada, com outra cara, ela veio vestida de produtividade. E por quê? Porque quando nós começamos a fazer planejamentos, desenvolver rotinas e tentamos de fato fazer as coisas vamos ter que setoriza-las, contabilizar o tempo e estabelecer prioridades — e isso coleguinhas, é organização.

Pesquisando na internet eu encontrei no blog Vida Organizada, o GTD — Getting Things Done, que não é um método de organização e sim de produtividade, mas, envolve colocar as coisas na linha, eliminar acúmulos e começar devagar. Uma das coisas que mais me chamou a atenção no GTD é que ele é extremamente personalizável, ou seja, você desenvolve um sistema próprio a partir dos princípios ofertados pelo método. Desde que comecei, eu tenho conseguido cumprir metas pessoais e administrar melhor meu tempo e dinheiro (ou seriam as duas coisas uma só?), mas, principalmente, eu tenho me sentido muito bem!

Diante de tudo isso, posso dizer que depois de anos entre me frustrar ou ignorar as palavras da minha mãe sobre organização, meu armário não está organizado por cor e tenho certeza que meus materiais poderiam estar melhor compartimentados, mas eu finalmente entendi que me organizar é algo que eu faço por mim mesma, no meu tempo, para ser bem mais produtiva, para ter controle da minha vida e principalmente para me sentir bem comigo mesma.