Relíquias compartilhadas

photo: thomas boehm

Não me entendam mal, eu amo comprar livros e faria até mais se os preços cobrados pelas livrarias não fossem praticamente um ultraje. O jeito é comprar pela internet ou frequentar sebos. Meu lugar favorito na cidade que moro é um dos sebos que tem aqui, deve ter milhares de livros e um velhinho cuida da sonoplastia do local. Quando fazia um curso no turno da tarde corria pegar o ônibus mais cedo que minha aula só para me acabar lá dentro, era mais que procurar livros e ler sinopses, era descobrir outro universo!

Tem alguma coisa realmente muito mágica em livros de sebo ou de biblioteca. Será que é o cheiro de livro velho? Livro que já andou por aí, nas praças, nas cabeceiras, dentro de bolsas ou em mesinha de centro. Conheceu o mundo e o mundo conheceu o livro.

Às vezes, vou confessar, abro no fim do livro onde tem as anotações, datas e nomes de quem o pegou anteriormente e fico imagino cada um, se gostaram ou se leram por obrigação, se devolveram sem terminar…

Porque cada livro te marca e é importante para sua vida. E ler aquilo que outro alguém no passado - talvez naquele mesmo horário - estava lendo, é mágico. Essa conectividade que um mesmo objeto pode trazer é incrível. A mesma história tocando pessoas diferentes e você faz parte dessa teia.

Esses livros são verdadeiras relíquias, a relíquia de cada um que passar por ele. E por isso eu nunca vou entender o que se passa na cabeça de quem não empresta livros, pra mim é puro egoísmo, como não compartilhar essas riquezas em forma de páginas? Mas esse é assunto para outro texto.

Pense sobre o livro. Leia enquanto pensa. Pense enquanto lê.