A família não venceu.

Os debates sobre gênero e sexualidade foram barrados dos espaços escolares e famílias conservadoras bradam a vitória frente à uma possível onda libertária, onde seus filhos poderiam estar expostos aos perigos do conhecimento sobre as realidades sobre pessoas LGBT.

O debate sobre gênero e sexualidade dentro das escolas assegura a integridade física e psicológica de crianças e jovens LGBT que ali estão inseridos. E vou além: o debate sobre estas realidades nos torna seres mais empáticos, dotados de senso crítico e de respeito ao próximo. Conhecer e aprender a respeitar pessoas LGBT não é doutrinação ou retrocesso: retrocesso é ignorar que estas pessoas existem e acreditar que a heterossexualidade e a cisgeneridade são as únicas realidades possíveis.

Qual família venceu, eu lhes pergunto?

A família conservadora cristã heterossexual por acaso é o único modelo familiar existente no Brasil?

Jogar crianças e jovens LGBT à margem da sociedade é contribuir para a destruição de sua saúde psicológica e acabar com todas as possibilidades de uma relação familiar saudável. Sim, porque pais conservadores e cristãos podem ter filhos LGBT também.

A afirmação também ignora que existem modelos familiares compostos por pessoas LGBT e que estas famílias não venceram frente ao retrocesso e a desinformação.

A falta de diálogo e aceitação corrobora para o adoecimento psíquico de crianças e jovens LGBT. Os adolescentes que vivem e estudam em locais que aceitam melhor gays e lésbicas têm 25% menos probabilidade de tentar suicídio do que os que vivem em ambientes mais repressores. A sensação de pertencimento é fundamental para a saúde psíquica desses jovens.

Estudos da Universidade de Columbia também apontam que o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens LGBT entre 15 a 24 anos. “Este estudo sugere como podemos reduzir as tentativas de suicídio entre gays, lésbicas e bissexuais. Mostra também que a criação de um ambiente escolar bom para os homossexuais pode levar a melhores resultados na saúde de todos os jovens", declarou o psicólogo Mark L. Hatzenbuehler.

Quando um jovem LGBT é expulso de casa, comete suicídio, sofre violências físicas ou não tem o amparo familiar necessário, podemos dizer falta de informação, entendimento e diálogo, somadas à um pensamento conservador e primitivo, contribuem para estas estatísticas.

Não contribua para o adoecimento, ou até suicídio, de qualquer criança ou jovem LGBT. A intolerância contribui para que famílias sejam desfeitas. A família não venceu. Nenhuma delas.

Nós só venceremos quando o acesso à cidadania, políticas públicas e diálogo for uma realidade de todos, e não apenas de um modelo familiar de comercial de margarina (branco, cisgênero e heterossexual).