Bambolê

(Escrito em abril de 2014, mudei umas coisinhas)

No meio da gente do metrô, um velhinho.

Um velhinho bem, bem velhinho mesmo,

boina na cabeça e bengala na mão,

me parou:

Quero ir à Praça da Sé.

/

Expliquei — não entendeu

“O senhor vai descer na Paraíso

Lá, pegar o trem na direção Tucuruvi”

Como que me pedisse paciência,

me olhou, enrugadinhos olhos de criança e experiência

Os mesmos da minha avó

que já não conseguiria pedir informação

a ninguém.

/

Reexpliquei, numa risada:

A certeza de que perguntaria de novo tão logo passasse o bilhete fazia cócegas na minha barriga.

/

É como se o fim da vida se encontrasse com o começo

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