Brevidade

Sentei-me na escadaria, fria

E eu também

Deitei a cabeça sobre um ombro,

Depois o outro, e o outro,

Depois o meu.

/

Tirei o cabelo de trás das orelhas

Ajeitei os óculos

Ela agora vê bem

/

Alguém se aproxima e escondo minha loucura

Sorrio com ternura

E me volto para mim

Sozinha como sempre, é que sempre estou sozinha

E você

E ela

E ele também

/

Da janela do ônibus, vejo um beco perigoso

Um homem se mexe esquisito

Uma velha de olhar assombroso

/

Me vejo no reflexo mas o reflexo não me vê

São tantas vidas, quantas vidas,

São tantas e me sufocam só porque são tantas

São jovens, velhas e crianças

E eu?

Eu sou só uma

/

No meio do meu desespero

Desespero não — desesperança

Me levanto e aperto o botão

Retomo minha incoerente andança

Desço as escadas e estou nas minhas escadas,

Frias, como a minha mão

/

Desembarco e reembarco, de novo nessa loucura

E me faço companhia

Em meio à ventania

Porque são tantas vidas em mim

E tantas que absorvi

Que só sei daquelas

Das quais tive que desistir

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