A Colleen Green Não Entende Por Que Você Depila as Axilas

A americana faz um “indie-pop pra quem gosta de ficar chapado” no seu último disco, I Want To Grow Up

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Entrevista originalmente publicada em Noisey Brasil.

“Eu não vejo sentido algum em depilar as axilas”, me respondeu a Colleen Green quando comentei com ela que tinha curtido a presença da sua suvaca cabeluda em várias das suas fotos. “Sou preguiçosa pra caralho. Pra quê vou perder tempo com essa merda?”. Aos 31 anos, ela embarca pela primeira vez para o Brasil para uma turnê do seu terceiro álbum, I Want To Grow Up.

O título é uma referência direta a I Don’t Want To Grow Up, do Descedents. Mas isso não quer dizer que o trampo dela seja apenas uma versão fanzoca de um dos discos da sua banda favorita. Assim como tem personalidade para tacar o foda-se pra geral e exibir seus belos pelos de baixo dos braços, ela tem também para cantar sobre depressão, problemas de saúde e fobias sociais num sonzinho que gosta de chamar de stoner pop.

“Mas que porra é ‘stoner pop’?”, deve ter sido a sua primeira reação se, tal como eu, você sempre associou stoner a metal, doom e distorções bem psicodélicas de guitarra (o famoso fuzz). “Na real, meu som é uma mistura de rock com pop que é legal de ouvir quando se está chapado”, disse Colleen. Não à toa, a Pitchfork definiu que ouvir álbum dela é como fumar altos béques cor-de-rosa cheios de açúcar. “Bem, eu me chapei muito por muito tempo, então, meio óbvio que vai estar na minha música. Não dou a mínima para o que as pessoas acham da minha fama de ‘maconheira’. Foi uma escolha minha, e pronto, como qualquer outra coisa”.

Nascida na pequena Dunstable, no Massachusetts, Colleen (junto com a sua guitarra e sua bateria eletrônica) se mudou para Los Angeles aos 25 anos. “Não tinha muitos amigos quando cheguei na cidade, mas ainda queria muito fazer música. No lugar de dar rolê, ficava em casa, gravando umas coisas no meu quarto e colocando na internet”, disse. “Então, comecei a fazer uns shows, até que o Ruben Mendez me descobriu. Daí, assinei com a Hardly Art, selo independente de Seattle pelo qual lanço meus discos.”

No começo, ela fazia tudo sozinha. Compunha, gravava, produzia. Hoje, Colleen ainda faz muita coisa sozinha, mas tem mais amigos que a ajudam. “Sou muito controladora, mas é muito bom poder trabalhar junto de outras pessoas talentosas também”. E ela acha ótimo ser uma artista mulher que segue na linha faça-você-mesmo. “Ser uma mulher independente é do caralho. E amo fazer poder fazer a minha arte assim.”

Aqui, o vídeo de “TV”, que conta com a ilustre presença das maravilhosas,feministas e amigas da Colleen Cleo Tucker e Harmony Tividad, do Girlpool, duo indie-folk de Los Angeles.

Além de angústia de amadurecer, Ramones, Blink-182 e maconha, ela também me disse que tenta sempre botar muito pop chiclete na sua música — o que dá pra perceber pelo contraste preto/rosa bebê e do chapeuzinho de aniversário presentes na capa do seu último disco. “Curto muito Britney, Spice Girls e pop anos 90 no geral. Mas, na moral, tudo o que tá tocando no rádio hoje me influencia de algum jeito. A Selena Gomez é um exemplo. Também ouço muitas girl bands, como Fastbacks, Veruca Salt, Sahara Hotnights, Damone, entre outras.”

É claro que, por causa das suas axilas lindas-peludas e influências em divas do pop, girls bands e punk rock, tive de perguntar o que ela achava dessa onda de “pop feminista” da Beyoncé e da Taylor Swift. “Ser feminista na música tá na moda. Mas se isso ajuda as pessoas a abrirem a cabeça, tudo bem. O fato é que as mulheres sempre tiveram capacidade de fazer coisas tão boas quanto os homens”, comentou. “Podemos fazer o que quisermos, na real. O bom é que hoje mais mulheres estão começando a acreditar nisso e não estão mais desperdiçando seu potencial”.