Guerra dos Tronos com farofa: a corrida eleitoral já começou


Apertem os cintos, porque depois de ontem, viveremos uma montanha russa midiática de mensagens de políticos. Eles vão invadir seu facebook, entrar sem pedir na sua sala de jantar, vão inundar seu whatsapp. É a lei do mundo: rei morto, rei posto. E no momento temos vácuo de representatividade e a natureza odeia o vácuo e então temos a Guerra dos Tronos.

Pode até não bater com o calendário do TSE, mas a corrida eleitoral já começou faz tempo e alguns candidatos despontam vorazes, desenhando estratégias midiáticas com um único propósito: ganhar nossos corações [para então servir nossas cabeças no jantar].

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Capítulo #1: Sobre os Cavalos

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Sob a perspectiva dos seus discursos, arquétipos e personas que estão trazendo, vamos analisar aqui alguns dos cavalos que saíram na frente nessa corrida:

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1 Ciro Gomes, cavalo velho nesses prados, começou a fazer campanha lááá antes da Dilma cair. Sua estratégia? A voz professoral que explica e elucida a população [vulgo, o eleitorado] sobre as tramóias do serrado.

2 Luis Inácio, quem diria, ressurge das cinzas trazendo uma estratégia fênix. O ‘pai do povo 2.0’, derrotado, volta agora aos holofotes mantendo seu discurso populista e ganhando bônus de “perseguido” . Pode parecer absurdo a princípio, mas não, é genial pra falar a verdade, Lula conseguiu transformar até a trama romântica-gato-e-rato Moro-Lula em narrativa de pré-campanha.

3Sérgio Moro. Se Freud dizia que a grande pergunta não respondida da humanidade é “o que querem as mulheres?”, uma das grandes perguntas não respondidas desse lamaçal político é “O que quer Sérgio Moro?”. O vemos galopar incansável nessa pista de corrida midiática. Mas que pra lado ele vai? O que quer? Qual sua linha de chegada? Mistérios do supremo.

4 Marina Silva, cadê você? Marina estava listada como participante da corrida. Já tivera muito êxito em corridas anteriores. Mas até agora, nessa pré-corrida eleitoral implícita e midiática, ainda não apareceu com força.

5 Dolly, Dorinha, Doritos, John, João Trabalhador, João Dólar: João Dória. O azarão da nossa corrida, cavalo jovem e cheio de truques na manga, começou correndo pelas beiradas e passou o Dindo Alckmin na disputa pelos corações e pela coroação, digo, eleição. Doritos vem todo trabalhado na estratégia “o não-político”, administrador, homem de negócios que vai trazer novos ares pra política. É uma estratégia boa e eficaz, vem sendo usada no mundo todo e foi a estratégia que elegeu Macri na Argentina e Trump nos Estados Unidos. E parece estar ganhando força no Brasil.

6 Bolsomito, Bolsominion: Jair Bolsonaro. O que dizer do Bolsonaro? Quero chamar ele de Bolsomite ou de Jair Dinamite. Vem trazendo o discurso de “o que precisa pra consertar ‘sápoha’ aqui é pulso firme e pulso firme eu tenho”. Vem ganhando um espaço perigoso com sua promessa de salvação pela rigidez. De verdade, é um discurso que funciona, ganha adeptos e até coloca alguns pontos do país nos eixos, já foi usado com muito êxito em países da Europa nos anos 30 e 40.


Capítulo #2: Do ponto de vista de ideologias

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1 Ciro se apresenta como o candidato da social democracia, do centro-centro, defende a moral política;

2 Lula mantém o discurso social que o elegeu e ocupa o lugar do que vou chamar aqui de “a esquerda clássica” — no discurso. Sabemos que na prática de governo as políticas sociais de esquerda acabam saindo de mãos dadas com uma política econômica mais neo-liberal;

3 Moro ainda não apresentou um alinhamento ideológico claro, embora tenha apresentado amizades bastante alinhadas com a direita {e de caráter duvidoso, pra quem lembra da foténha com o bestfriend Aécio};

4 Marina, nas últimas eleições trazia a bandeira da social democracia com enfoque em políticas sociais e sócio-ambientais e era a queridinha dos progressitas, até escorregar em algumas cascas de banana conservadoras {nominalmente, a discussão do abordo e sua opção religiosa} e perder muitos eleitores. Foi o maior caso de ejaculação precoce da história deste país. Uma grande promessa que todo mundo achou que ia e acabou terminando antes de começar;

M&M: a dupla de Ms Moro e Marina faz presença mas não declara muito bem suas intenções.

Um ponto central e preocupante é que com a ausência da voz de Marina e nenhuma outra figura de peso {Freixo, será?} a agenda progressista fica sem representante na corrida até agora.

5 Doritos, traz a visão política do estado privado, muito alinhado com o neo-liberalismo e com a direita, mas faz a discurso pai dos pobres, promete emprego e renda e saúde e pra quem não entende as entrelinhas, faz parecer que tem um grande plano para políticas sociais, quando na verdade o plano é: pinta, limpa, vende, fecha e cobra. Quem pode entra, quem fica de fora chupa o dedo;

6 Jair Dinamite vem representando a extrema-extreeema-direita e propondo uma política de rigidez bastante inclinada a prática do “ou faz o que eu digo ou toma chumbo”. A promessa de austeridade vem encantando cidadãos decepcionados com a crise moral do país e angariando simpatizantes. Parece que alguém com pulso firme seria de fato uma boa solução pro país. Só tem um pequeno probleminha: pensar, você gosta? É, porque nesse modelo não pode mais. Ser minoria, você é? Mulher, negro, índio, homossexual, pobre? Basicamente qualquer coisa que não seja branco, homem, cis, hétero, rico e de preferência de olho azul. Ah, você não é isso? Então não pode. Não pode o que? Falar. Pensar. Se expressar. De preferência nem existir. Mas, se você tá de boas com tudo isso, ou se você não se da conta disso, dai talvez o discurso do pulso firme cole, e aí talvez a gente tenha um problema um pouco sério.


Capítulo #3: do páreo

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A incerteza reina.

Não sabemos quando teremos eleições.

Não sabemos se teremos eleições.

Tá marcado pra 2018, mas pode ser que seja antes se conseguirmos ter diretas. Tá marcado pra 2018, mas se cair o Drácula, digo, o Temer e houver indiretas, nem Deus nem o Diabo sabem o que pode acontecer até 2018. O pior cenário? Que não aconteça. Que alguém faça uma medida escabrosa e que não tenhamos eleições, nem agora nem depois. Parece extremo, mas é possível {e a cada virada de jogo mais próximo de ser provável}.

A corrida oficial não começou, mas extra-oficialmente, no implícito, no simbólico, onde o Brasil acontece de fato, já tem muita gente correndo pelo seu coração.

Em quem você aposta? Em que você vota?

Lembre-se, o prêmio deles é a sua cabeça no jantar.

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