Um dia

Um dia, a gente se cansa dos começos. Ou recomeços. Quando a gente sabe que tudo é uma rotina disfarçada de novidades auto-absorvidas para estimular o movimento que manda a gente seguir em frente.
Um dia, a gente não quer mais se acostumar com o conformismo. Que diz que as coisas são como são, as pessoas agem como agem e você se sente como se sente porque existe uma resposta simples pra tudo. E se não houver, a resposta da equação é se conformar.

Um dia, esse sentimento é mais do que achamos ser capaz de suportar. 
E você só pensa: será que sufoco ou deixo fluir?
A pergunta é retórica. Porque a escolha não é alternativa. Afinal, nenhum dos caminhos é o mais claro, fácil ou resoluto.
Um dia, a saída não significa fim. Nem meio. Nem começo. E você percebe que lidar com o que você não entende, compreende e controla é uma constante não só na sua, mas na vida de todos.

Você se vê circulando problemas ao invés de enfrentando e superando, um de cada vez.
Você se ouve falando de problemas com dimensões inferiores aos problemas de todos os outros, todos ao mesmo tempo.
Você se percebe chato, redundante e um reflexo de quem você evitava quando era mais novo.
Mas, no fim das contas, falar disso tudo é bom. 
Acredito que de verdade nunca o tinha feito dessa forma.

Abrir mão de um projeto que você criou, nutriu, manteve por muito tempo não é desistir. Tentar resolver um problema com um amigo de longa data não é dar o braço a torcer. Verbalizar suas inseguranças não é um sinal de imaturidade ao mesmo tempo que um convite a uma exposição desnecessária. Colocar seus pontos de vistas a mostra mesmo quando não solicitados também não é assumir uma postura de discordância de todos que pensam diferente de você. 
Um dia você percebe isso. 
Mesmo que não seja hoje.

Um dia, a gente olha pro amigo que está longe e sente que a falta dele nunca será suprida pelos novos amigos que a gente faz. 
Um dia, a vontade de chorar dura mais tempo que a vontade de sorrir. Uma equação injusta, sim, mas mais frequente do que a gente se permite admitir.
Um dia, a disposição te dá mais um indicativo que ela só precisa de um empurrão para tomar as rédeas e te guiar pelos caminhos claros, tortuosos e desconhecidos que ainda você nem imagina.

Um dia, você se cansa.
Mas em todos os outros, você segue em frente.

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