Chega um momento que parece que não é mais as pessoas e as suas atitudes que me incomodam, que me afligem. Não são os outros, passa a ser eu. Minhas atitudes, minhas inseguranças, meus pensamentos, minha incapacidade, minha falta de esperança. Chegou o momento que eu não aturo mais a minha própria existência e isso dói, incomoda e faz chorar.

Eu acabo querendo dormir 24 horas por dia até o fim da vida pra não ter que lidar comigo mesma.

Eu acabo acreditando que o isolamento dentro de mim mesma é melhor pro resto do mundo.

Aos poucos eu me enjaulei, me afastei, me isolei, dentro de mim mesma, dentro da minha própria existência, pra privar as pessoas de ter que me aturar assim como eu sou obrigada.

Eu sei que pra você que está lendo, e até pra mim em um outro momento (eu espero), isso pareça não fazer o menor sentido, pareça ser ridículo, eu sei que é isso que vem à cabeça quando não está do lado de dentro dessa confusão.

Eu quis deixar minha rotina de lado, eu quis deixar minhas tarefas básicas do dia a dia pra outra hora, eu quis deixar a vida pra depois, pois hoje eu só queria fugir de mim e do mundo. Eu continuo querendo, mas algumas obrigações me levam a não largar tudo de mão e me perder em mim mesma. O medo de perder a vaga na faculdade, a tentativa de evitar discussões em casa, a tentativa de manter as aparências, talvez seja isso que tenha me mantido numa certa rotina ainda.

Eu sei que não é fácil pra mim, mas e pra quem ta ai de longe parece que é só querer, parece que é só ter força e acreditar. Querer o que? Forças pra que? Acreditar em que? É difícil pra mim achar essas respostas aqui dentro, tudo parece um grande deserto gelado e sem vida.

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