Uma queda que me mudou

No dia 25/08/2016 tive uma queda que me obrigou a ficar 4 meses afastado do trabalho e me fez repensar muita coisa, inclusive de ser mais calmo.

Como disse em outro post, comecei a pedalar em fevereiro de 2016 com minha esposa que é muito mais experiente, sempre dava dicas sobre andar na rua de bike, alertava para eu sempre ter paciência e me resguardar para não ser uma vítima no trânsito. Sempre fui bem nervoso no trânsito, xingava e queria brigar com todos que me dessem fina, … porque me sentia no direito de brigar e achar que o motorista estava errado ao fazer barbeiragem e eu certo. Outro vício que tinha era o Strava, tinha que fazer sempre o menor tempo em algum lugar, andar cada vez mais rápido e tinha na cabeça que para valer apena ir de bike para o trabalho teria que fazer um tempo menor do que usando outros meios de transporte. Queria mostrar que era muito mais vantajoso fazer um percurso de 17km de bike do que de trem e metrô.

A minha bike é uma Monark 10 de 1978, usava um guidão curtinho, o guidão facilitava ao passar entre os carros. Com um pedivela 53/39 conseguia colocar muita velocidade na bike, parecia uma moto.

O trânsito no Rio é muito caótico e estava muito violento comigo naquele dia, era apenas a terceira vez que ia de bike para o trabalho, a primeira foi com minha esposa para me testar e a segunda fui sozinho, conheço bem a via só não estava prestando atenção por estar bastante estressado e tentando chegar rápido, na altura do número 452 tem um buraco até hoje, próximo a um cruzamento, cai no buraco a 49 km/h e nesse momento a bike saltou bem alto, foi impossível segurar, tombei para o lado direito, por reflexo tentei colocar o pé no chão e acabei caindo de ombro, meu medo ao cair era ser atropelado logo em seguida já que o movimento era intenso no horário.

Quebrei clavícula, fêmur, tíbia e uma avulsão na espinha tibial(que gerou um problema no meu ligamento cruzado anterior), não fui operado na época, mas preciso operar meu ligamento em algum momento. Atualmente para amenizar as dores faço pilates com a minha fisioterapeuta até hoje, fiquei psicologicamente traumatizado com velocidade, principalmente em descidas, estou aos poucos conseguindo quebrar isso.

Refleti bastante sobre como me comportava no trânsito, hoje penso que ficar alterado pode fazer com que eu fique cego temporariamente no trânsito, que xingar não tornará aquele motorista mais prudente. Vejo hoje, que temos de nos reeducar como ciclistas e principalmente como motoristas para que o trânsito fique mais amistoso, para isso, precisamos começar olhar primeiramente para dentro. Hoje ajudo no que posso para tentar melhorar os motoristas a minha volta e sempre que tem uma ação para tentar mudar isso, tento estar presente. Tudo que relatei se resume em uma sentença: paz e educação no trânsito.

Vagner Zampieri

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