O que podemos aprender com o episódio Quitandinha?

Depois de ler este ótimo texto do Marc Tawil, não vou chover no molhado reforçando tudo que já falaram por aí, mas gostaria de listar algumas lições importantes que o episódio Quitandinha nos traz:
1 — O SEU NEGÓCIO REFLETE O QUE VOCÊ ACREDITA
Neste caso foi um bar, mas poderia ter sido uma padaria, uma loja, uma papelaria ou um carrinho de pipoca. Tanto faz. As pessoas que você contrata, o produto que você vende e o atendimento que você dá, tudo isso de alguma forma é reflexo do que você, dono do estabelecimento, deseja para as pessoas.
Se o seu gerente tratou mal alguém, a culpa é sua. Se o garçom soca cerveja a mais na hora de fechar a conta, a culpa é sua também. Você deveria ter consciência disso quando decidiu investir neste tipo de negócio.
2 — AS PESSOAS AINDA NÃO ENTENDERAM O QUE E PRA QUEM ELAS VENDEM
O “Seu Quitandinha” provavelmente deve achar que o que ele vende é cerveja gelada (que por sinal, diga-se de passagem, a do Empanadas é bem mais). Ou que um cliente que vai toda semana e gasta R$500,00 pode espantar dezenas que gastam R$40,00 a cada vez que ele vai. E que estes últimos fazem com que outras dezenas nunca mais considerem o bar como opção. Essa conta pouco consegurem fazer e eu que já trabalhei também do outro lado do balcão, sei bem que “cliente da casa” tem passe livre pra ser escroto, inclusive com os próprios funcionários. Money talks…
3 — DINHEIRO AINDA É SINÔNIMO DE PODER
Essa realmente é difícil de assimilar, mas dinheiro e poder ainda são coisas diferentes. JURO! Talvez apenas se misturem em alguns casos, mas um independe do outro. Muitos grandes líderes não precisaram ser ricos para serem admirados e conquistarem legiões de seguidores. Dinheiro não compra respeito. Dinheiro não compra educação. Pessoas extremamente ricas ainda morrem de câncer.
Agora por que uma pessoa pode chegar a afirmar que “poderia até comprar você se quisesse”? Alguns atribuirão este raciocínio à nossa herança escravocrata, que de fato ainda nos influencia bastante, mas talvez não seria o caso desta pessoa não conhecer outro método para conquistar algo que não este?
4 — PRECISAMOS ENSINAR NOSSAS CRIANÇAS A FRACASSAR
“Se você estudar conseguirá um bom emprego, ganhará muito dinheiro, comprará muitas coisas e isso lhe dará o direito de fazer o que quiser, porque você será melhor do que os outros que não seguiram este caminho e chegaram onde você chegou”. É uma receita de bolo. Uma coisa puxa e a outra. Não tem como dar errado.
Essa geração tá difícil de salvar, mas por favor, vamos dar uma forcinha pra próxima? Vamos explicar pros nossos filhos que pra alguém ganhar muitas vezes alguém tem que perder. E se ele for o perdedor, tudo bem. Não tem problema. Talvez o que ele planejou não dê certo. Talvez ele tenha que alterar o rumo no meio do caminho. Talvez a garotinha(o) que ele(a) se apaixonou na escola goste de outro(a) garotinho(a). Talvez a(o) garotinha(o) goste de outra(o) garotinha(o). Talvez a garotinha(o) não goste de ninguém. É uma opção dela(e). E esta tudo bem. De verdade.
5- AJUDA AINDA É UMA QUESTÃO DE IDENTIFICAÇÃO E NÃO DE PROXIMIDADE
O post da Julia que relata a agressão já teve até o momento mais de 38 mil compartilhamentos só no Facebook. Os comentários nos posts do bar renderam mais milhares de pessoas com mensagens de apoio. Na maioria estranhos, que nunca se quer viram pessoalmente a Julia e a Isabella. Mas.. e o pessoal que estava no bar e acompanhou isso tudo? Rolou discussão, gerente, polícia, grito e choro. O que fizeram? Se todos estivessem em desacordo com a situação e participassem a história teria um outro desfecho?
Não tomar nenhuma atitude sobre algo também é tomar uma atitude sobre algo.