Bellum Caelum

Cael | episódio 3

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Em nosso caminhão o Doutor dormia profundamente e ao longo do caminho especulávamos o que foi tudo aquilo.

-Para mim ele é algum agente do governo. Foi transportado para lá para alguma conspiração. -Dizia Yhomé.

-Mas o que ele quis dizer com seu nome? Alguma herança que você tem?

-Disse Beni

Yhomé alegava ser difícil de investigar, que talvez ele não sabia quem ele era, por isso com dúvida.

-Dúvida do quê? Perguntei a todos.

-Ele disse que alguns de nós era de lá, mas de lá onde? E o que temos de lembrar? — Rouque perguntava

-Será que mexeram com nossas memórias? — dizia nosso motorista Hiasar.

-Gorm, você é o único de nós que tem mania de escrever em diário. Quanto para trás você consegue ir? -Perguntava Yhomé

-Até uns 8 anos de idade, não há nada que não lembre. Talvez alguns detalhes, mas tenho certeza de que nenhuma memória foi apagada de mim.

Gorm era o mais novo de nós, era um estagiário do nosso grupo, Cael. Nos denominamos Caçadores Arqueólogos de El. Ficamos fissurados por esse achado arqueológico, pois o vimos em muitas outras peças de épocas distantes uma da outra.

-Gorm! Você não deveria estar com a Suen? -Rouque perguntou com um tom raivoso, pois ela estava no quarto do trailer com um velho doutor estranho.

Ah, Suen, uma linda mulher, ruiva e de olhos verdes, mas sofria um certo preconceito por suas orelhas de pontas alongadas. Pele bem branca e quase brilhante. O doutor dizia que ela parecia uma elfa. Não sabíamos o que era uma elfa. E ele disse que era uma lenda irlandesa. Mas também não sabíamos o que era irlandesa. Pedíamos para nos mostrar no mapa, mas ele não conseguia mostrar no nosso mapa, deveria ser um de antes da guerra, o que era raro de se ter. Mas nós, como somos arqueólogos, mostramos a ele e mal podíamos imaginar que nosso mundo era daquele jeito geograficamente.

Era como se o Doutor não vivesse em nosso mundo desde a guerra, pois vimos que ele sabia muito de antes da guerra.

Ouvimos dizer que antes da época só havia algumas variações de humanos, mudava apenas cor e alguns detalhes mínimos nos olhos, e outras mudanças suaves.

Hoje em dia nós temos variações genéticas, dizem que por culpa da guerra, mas não sabemos a veracidade dessa informação, nunca conhecemos alguém que tinha conhecimento de antes da guerra.

-Eles estão dormindo, o que há de mais? dizia Gorm.

Rouque com um tapa na cabeça dele dizia: -Nós estamos com alguém que acabamos de conhecer e você a deixa com ele. Não sabemos se ele tem um corpo digitalizado como aquele que vimos na casa dele.

Ter um corpo digitalizado significa poder ser teletransportado, chamamos essas pessoas de Bio-D. Mas nem todos tinham dinheiro para fazer isso com o seu corpo. Caso o leitor não saiba, devemos transformar nossas moléculas em biologia sintética digital, para que computadores interpretem nossas moléculas e remontem, mas muitos são contra, pois existem conspirações de que as pessoas mudam a personalidade quando se submetem a tal tecnologia.

Nós temos um teletransportador portátil, mas apenas para objetos. Então, até aí estamos legais. Mas nunca tente transportar alimentos, não fica com gosto bom e muito menos nosso estômago digere. Yhomé teve de descobrir isso da pior maneira.

Mas ficamos com a questão na mente:-Como era a vida antes da guerra? o que era EL?

Quando escutamos um grito! Era o grito do velho doutor. Ele sai do quarto e se depara com Rouque e Beni mirando nele.

-A que velocidade estamos? -perguntava o doutor com olhos arregalados.

-40 quilômetros por hora, porquê? -perguntava Hiasar.

-Tolos! Está tendo uma guerra sob a cabeça de vocês e vocês andam nessa lerdeza?

Todos nós nos entre olhávamos sem entender.

-Qual foi a última bebida que você tomou antes de vir aqui? -Zombava Yhomé

-Ora, seu filho de dúvida… — resmungava o Dr. Alc

-Do que você me chamou?

-Ele tem razão! — aquela voz feminina fez todos ficarem em silencio e fixarem a atenção para Suen, que estava atrás do doutor.

Lá estava ela apoiada com dificuldade na parede e com um rosto sofrido, pois ela havia sido mordida por um Ratorata na sua costela. Estava enfaixada no ferimento, ainda bem que tínhamos o Clem, o mais calado de nós, ele era nosso médico. Ela tinha uma habilidade assim como todos os que tinham a orelha como ela. Ela podia ouvir sons a longa distâncias e sons extremamente inaudíveis.

-Eu consigo escutar algo como uma batalha, mas com um som suave ainda.

E o doutor sem se virar para ver quem era ela, diz: -Ouçam-a e olhem pelas janelas…

Todos olhamos pela janela correndo, até Hiasar tentava olhar ligeiramente para cima.


-Não estou vendo nada. -disse

-Olhem fixamente em alguma nuvem. Percebam o que está no canto periférico do olhos de vocês. -Disse sussurando o doutor.

Começamos a perceber que apareciam uns riscos com luz fraca, algumas formas em movimento acelerado indo para lá e para cá, mas era difícil ver por muito tempo, as luzes apareciam bem fracas e já desapareciam. Isso se repetiu enquanto olhávamos.

-Uata…? Que raios é isso ali em cima? -Sim, de fato são uma espécie de raios…


-Hiasar! Acelara, isso vai acabar nos atingindo. Doutor! O que está havendo? — Gritava.

-É obvio meu jovem, eles não querem que eu vá com vocês. — Disse o doutor.

-Mas quem são eles? — insisti.

Estávamos numa estrada meio rochosa, e um feixe de luz logo no horizonte envolveu uma grande rocha. Ela começou a flutuar e tivemos a sensação de que ela viria em nossa direção.


Nessa hora o doutor colocou a cabeça para fora e gritou par os céus:

-Alguém aí está vendo um campo antigravitacional logo a frente? — Gritava Dr. Alc batendo na lataria do nosso transporte.

-Pessoal, tem uma grande pedra no caminho… o que faço???! — Hiasar já estava nervoso e falando alto.

-Motorista, acelera, vai dar tempo! — Disse o doutor.

O quê? Esse cara é loco! Não ouçam ele, freie! — Dizia Yhomé.

O carro começou a frear quando gritei: — Não! Acelere, tem uma pedra voando na estrada e vocês não querem acreditar que o doutor sabe do que está falando?

Hiasar deu uma acelarada dando um tranco em todos.

-João, você não pode confiar nele. Se formos atacados, o velho gaga aí pode ser teletransportado se for do governo. Não podemos confiar. -Insistia Yhomé

-Eu sou vivo, nunca me digitalizarei para ficar nas mãos deles… Vocês não sabem nada mesmo… -protestava o doutor.

-Nas mãos de quem? — Yhomé perguntava pegando-o pelo colarinho.


-Pessoal, acho que a pedra tá querendo carona….decidam logo… eu acelero ou breco? -Interrompia Hiasar

-Droga, não temos tempo para isso… mas já que insistem… Basta saber que nossos íons spectro não ficam mais quando somos digitalizados, ou seja, você passa a não existir e o que fica na remontagem é uma réplica aleatória de sua consciência induzida pelos biofóton… isso que eles são, biofótons, mas são biofótons totalmente danificados por um vírus que está no tecido de nosso universo. Os outros são nossos aliados! Eles não tem vírus… — disse o Doutor tão rápido quanto podia e quase sem respirar, pois a pedra estava se aproximando e sentíamos que ela poderia cair na nossa frente, ou em cima de nós.

-O QUÊ??? — praticamente todos nós ficamos sem entender uma palavra que ele disse.

-Hiasar, acelere! Sinto que devemos dar uma a chance ao doutor!

-Obrigado, João. — Até aí foi a primeira vez que o doutor disse o nome de um de nós.

Todos ficamos em silêncio sentados acompanhando o som do motor acelerando.

Suen segurou firme em Gorm, o que deixou meio sem jeito e assustado, pois era uma linda mulher e ele era só um garoto. E ao olhar para Rouque levou uma piscadinha de olho dele. Gorm desviou o olhar para Yhomé que estava fazendo biquinhos de beijos para ele. Gorm sentia seu rosto ficar vermelho, mas não era preciso muito, era fácil o deixar vermelho.

Ao lado da paisagem vimos uma luz fraca ir em direção ao chão e logo em seguida veio o som de uma explosão, mas só vimos areia e pedrinhas sendo lançadas ao ar, como se algo super pesado tivesse caído no chão.

-Droga! — disse o doutor

-O que houve? — Perguntei

-Descobriram nosso plano. Se segurem… Motorista, não acelere e não freie… — dizia o doutor que debruçou atrás do banco do motorista.

-O quê??? -disse Hiasar.

-…não faça nada! Eles vão nos ajudar!

Aquela rocha caiu no chão e fez com fossemos chacoalhados e quase tombássemos, mas era como se algo nos segurasse no chão e segurasse nosso carro reduzindo a velocidade.

-Motorista, freie quando tivermos com a velocidade suficiente para não derraparmos.

Era como se algo estivesse pressionando a frente do carro, pois freamos tão rápido que quase nos esmagamos internamente.

-Estão todos bem? — Perguntou Bêni

-Alguém pode tirar o doutor daqui? Ele está me sufocando com suas pernas.

O doutor havia tirado o sinto aquele momento para instruir Hiasar e na hora da freada ele se agarrou como pode no banco de Hiasar.

-Já paramos? — Dizia o doutor de olhos fechados é incrivelmente agarrado como um macaco no banco.

-Doutor, o que são? — disse Gorm.

Doutor olhou com um olhar de preocupação para Gorm.

Acho que sei algo. — disse Suen.

Continua…
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