MENINO 23 entra na corrida por vaga no Oscar

O documentário “Menino 23 — Infâncias Perdidas no Brasil”, dirigido por Belisário Franca, está na lista de inscritos para o prêmio. Ele concorre com outros 144 títulos para as cinco vagas da categoria melhor documentário.

De uma lista com 145 filmes, a Academia vai selecionar 15 documentários finalistas e divulgará os títulos em dezembro. Depois de uma nova peneira, sairão os cinco indicados da categoria e serão anunciados no dia 24 de janeiro.

A categoria este ano conta com a significativa presença de filmes que abordam a temática negra, seria uma resposta ao #oscarsowhite do ano passado? Concorre com Menino 23 os documentários A 13ª Emenda, filme da diretora Ava DuVernay com denúncias sobre o sistema carcerário dos Estados Unidos. Outro forte concorrente é I Am Not Your Negro, estrelado por Samuel L. Jackson e premiado pelo público do Festival de Toronto.

Menino 23 — Infâncias Perdidas no Brasil

Conta a história real de meninos negros que foram levados de um orfanato do Rio de Janeiro nos anos 30 para uma fazenda no interior de São Paulo. Lá, eles trabalhavam sem remuneração, ou seja, eram escravizados mais de quatro décadas depois da Abolição da Escravatura.

A fazenda em questão pertencia à família Rocha Miranda, uma das mais poderosas da época. Eram donos de bancos, empresas de transporte, hotéis de luxo e propriedades rurais. Segundo as pesquisas, faziam parte do ultraconservador movimento integralista brasileiro e mantinham relações estreitas com os nazistas.

A história relatada no filme só foi descoberta depois que tijolos com o símbolo da suástica foram encontrados durante escavações na fazenda. Em entrevista ao portal UOL em julho, o diretor Belisário Franca explicou que seu filme é sobre o passado, toca no presente e olha para o futuro. “Hoje no século XXI, o menino 23 é assassinado pela polícia. As permanências estão aí. A naturalização daquelas práticas ainda estão presentes”.