A arte de flambar um pão

Alex Holt on Unsplash

Cozinhar é uma arte. Deveriam ser exaltados todos aqueles que transformam diversos ingredientes em pratos saborosos seguindo uma ordem correta; mesmo sendo fácil na teoria eu consigo fracassar.

Acreditei que o segredo era seguir minha intuição, então elaborei receitas incríveis: a carne moída peneirada, arroz digno de um hospital, tortinhas de limão com sabor de “se alguém inventasse uma máquina do tempo certamente seria para impedir essa atrocidade”…

Em uma manhã de sexta feira o jogo virou. Meu cardápio deixou de ser recheado de sabores exóticos graças aos pães de queijo congelados que eu faria.

Eu coloquei em cima do fogão os sacos de papel com torradas que estava dentro do forno. Achei que o gás estava acabando porque o barulho estava diferente. Liguei uma das bocas do fogão para analisar. Eu esqueci dos sacos.

As chamas devoravam o papel e sem reação eu encarava o laranja se espalhando. Meus pensamentos estavam divididos entre “técnicas para apagar um incêndio, agora!” e “olha só, parece que eu estou no The Sims!”. Não seria uma surpresa que tentei apagar o fogo com um pano de prato seco.

Meu gato foi atraído pela a curiosidade e parecia muito arrependido quando entendeu a situação. Seus miados chamaram minha atenção e eu segui em sua direção, pensando em como seria engraçado tirar uma foto daqueles “restos mortais”. Eu não percebi o pano de prato sendo devorado. As labaredas agora já atingiam a coifa.

Já que minha primeira tentativa fracassou, pegar uma tampa de panela e martelar no fogão enquanto a casa estava mergulhada no silêncio foi uma solução muito discreta.

Como se todo esse evento não fosse patético o suficiente, é claro que eu tirei os pães de queijo do forno muito antes do necessário e aproveitei um especial tempero de “continua cru por dentro, sua imbecil”.