Eu, Carro.

Assim como no filme “Eu, Robô”, em 2016 a existência de carros nas ruas é algo que se torna corriqueiro, sendo usado como assistente de segurança e proteção contra contato humano, os carros possuem um código de segurança chamado de motoristas, que os impendem que tenham algum relacionamento de proteção a qualquer outro ser vivo, esta lei nem mesmo é quebrada em locais de uso exclusivamente humano, como calçadas e ciclovias, assim Ciclistas, seres com uma vivencia entre mundos, hora como pedestres, que pensam como andantes e hora como condutor de veículo, movido a propulsão humana, com permissão para circular nas ruas, passam a ter atitudes que impeçam os carros a subjugarem a raça humana, entrando em guerra para destruir um falha na programação do código que infectou os motoristas.

Esse parágrafo acima foi só pra descrever a realidade que podemos constatar nas ruas….

Assim como o celular quase não é usado para fazer ligações telefônicas, o carro deixa de ser um meio de transporte, para ser qualquer outra coisa, exceto para sua função original.

Chegamos ao ponto que no boletim da previsão do tempo um apresentador da TV Bandeirantes, anunciar que o carro é a proteção contra chuva, dizendo para os pedestres não ficarem em ponto de ônibus.

Mas……ontem 18.02.2016 motoristas protegiam seus carros da chuva na marquise de um posto de gasolina, impedindo pedestres de fazer o mesmo!

As pessoas que usam carro exclusivamente como modo de transporte perdem toda a noção de civilidade, relutei pra chegar a essa conclusão, mas ontem…….

Quando eu pedalava sentido centro na Av. Inajar de Souza a chuva caía quase que na horizontal, ficando impossível ter alguma visibilidade….

Fui pra calçada, pra conseguir chegar em segurança a algum lugar e me abrigar, quando lembro de um posto de gasolina que fica mais a frente

A chuva estava de tal forma que mesmo sob a marquise do posto era impossível ficar, a chuva varria tudo, o caixa do posto fugiu rapidamente abandonando as “maquininhas de cartão de crédito”

motoristas que abasteciam mantiveram seus carros parados nas bombas, e pra minha surpresa, motoristas transitando decidem entrar no posto

Ai que começa, o surrealismo da questão de bom senso e contradição dos que decidem exclusivamente usar o carro como modo de transporte

Eles posicionam os carros de maneira a ficarem um carro coladinho no outro e se mantem dentro de seus veículos, impedindo o acesso das pessoas.

Eu diante daquele episódio, que era uma visão infernal, decidi questionar a PM que também bloqueava da mesma maneira a entrada, o único local disponível no posto era onde se faz a troca de óleo.

Quando falamos de uso diário da bicicleta, um dos questionamento é:

“como faz em dias de chuva?” (quem pergunta isso tem sempre o pensamento de que o carro protege das intempéries do tempo)

Pensam em justificar a aquisição do bem pra um uso incomum, se proteger da chuva, do ladrão, da sociedade incômoda. Naquele momento tudo isso vinha abaixo, não se sustentava mais, apesar de se manterem dentro da caixa mágica protetora de baixo da marquise!

Por que não deixam as áreas cobertas para as pessoas desprotegidas fora da bolha de lata, prejudicadas pelo seu privilégio, enlatadas no transporte público?

Se carro é pra tudo isso, por que numa hora dessa você ao menos não para sua proteção divina sob as nuvens?

Eu não pude registrar com fotografia a imagem, chocante, não podia correr o risco de perder meu celular diante de tanta água que desabava das nuvens, mas pra mim bastou a vivencia dantesca!

Em Berlim, Alemanha, a situação chega a tal ponto que ações mais contundentes de movimentos sociais chegam ao ponto de tocar fogo em carros, não acredita vejo o link

Acho que o meio termo pra essa relação carro e cidadania pra mim chegou ao limite, meio que impossível não demonizar o uso que é feito do automóvel.

Deixo o vídeo a seguir como ilustração da loucura humana por essa maquina !!!