Não agradeça um Direito, exija!

avenidas segregadoras de SP, Brasilandia ZN

Estamos vivendo, em SP, dias incríveis, varias ações que deixam nossa cidade mais humana, que resgatam valores que estão escondidos dentro das pessoas.

Tenho me dedicado nos últimos meses ao Rua Aberta, sem deixar de andar de bicicleta, de caminhar, usando tudo de publico que é oferecido, independente das qualidade ou conforto necessário, o que quero mesmo é exercer meus direitos!

A bicicleta é um capitulo à parte, como sempre falo é a cereja do bolo, seja numa oficina comunitária, seja numa ocupação escolar ou de ruas, pois o que vale mesmo é perceber as possibilidades ao ver e sentir as ações ao vivo.

duas crianças podem usar a rua de casa para simplesmente conversar.

A Av. Koshun Takara, Jd. Peri, é cortada pelo córrego Guaraú, palco de varias enchentes e desde a década 60 foi ocupada por muitas famílias, nascendo assim a favela do Sucupira ou como meu tio “Zé baixinho”, morador e um dos fundadores junto com Seu Cicero chamavam de “maloca do sucupira”. Hoje os bairros do Jd. Peri e Vila Dionísia foram separados por essa avenida, com 4 faixas largas de cada lado e um vazio central maior que muitos parques linear.

as 16h do rua berta jd. peri dia 25.01.2016, uma das pontas da avenida!

Os moradores até 1995 eram frequentadores dos mesmos espaços e não existia prédios na região, eram pelo menos 3 campos de várzea para nos divertir aos finais de semana, o caminho até o Horto Florestal era tranquilo, por volta de 3km feito por crianças de menores 13 anos sem temores, hoje impossível. Os moradores estudavam na mesma escola primária que os o Colégio Oswaldo Quirino Simões. Mas o tempo passou, a favela deu espaço para avenida, que levou para outros bairros amigos e os moradores que ficaram foram segregados e as diferenças acentuadas.

Criança brinca num acesso ao córrego, maios que as pistas da via!

Recentemente algumas ações que poderiam ser transformadas em politicas publicas passaram a fazer com que essas “comunidades” precisassem se reencontrar e seus anseios passaram a ser norteadores de discussões apaixonadas, preconceituosas, de poder, conciliadoras, um caldeirão de atitudes digna de um documentário de resgate de cidadania incrível!

O motivo do titulo e dessa longa descrição do espaço e momento que aprecio de perto aqui na quebrada é que, muitos vizinhos, amigos e parentes tem vindo agradecer pelo processo que estamos juntos conquistando em SP. As pessoas param e falam: “Obrigado” eu sorrio e passo incomodado, outro anuncia que: “Foi o mano aqui puxo(sic) a parada”, um vereador cola com seus militantes e tenta angariar permanência no poder, empresários disputam uma participação no espaço, o que quero dizer é que isso tudo é um direito e que não precisam agradecer a ninguém, seja sociedade civil, entidades ou politico, seja empresário ou munícipe.

Calçadas mal preservadas inclusive por prédios locais, sombra das arvores da escola municipal

Temos é que ir as ruas ocupa-las, ir pra parques e vivencia-los, usar o transporte publico e lutar por melhoras, exigir sempre mais e melhores politicas publicas.

Não deixe que disputas eleitorais e de poder venham interferir nos seus direitos.

Se alguém merece crédito pelo o que uma comunidade vivencia de agradável, quando simplesmente exige o seu direito, seja através de parlamentares ou seja através de um programa de governo, é a própria comunidade que luta para que aquilo de certo, os demais estão apenas mantendo o seu poder.

Pense nisso!

4 faixa de pistas largas, só pra carros, apenas uma linha de onibus acada 30 minutos!