A Culpa morre sempre solteira…

…até eu me casar com ela

por Bodhi Anju

A Igreja católica enaltece-a, pois é geradora de punição pelos actos imorais cometidos. Assim, é legítimo que te castigues, que te penalizes por tais actos.

As teorias new age dizem: “LIVRE-SE DA CULPA!”, de novo, algo tão izequeravél da qual temos de nos livrar. Depois elas colocam toda ênfase no perdão. PERDOE-SE, e PERDOE OS OUTROS!, vendido como um lugar destacado aos melhores, aos mais evoluídos, e claro, como todos queremos ser evoluídos, saímos por aí dizendo… EU PERDOEI!, como se isso fosse uma coisa que se fizesse de cabeça…

É mentira! Não tem perdão possível, sem entrar nas entranhas e raízes da culpa.


De onde eu vejo, nenhum destes caminhos nos leva a lidar com a culpa de uma forma construtiva e geradora de crescimento, mas sempre de uma forma danosa.

A culpa não é uma emoção básica, no sentido em que a criança não nasce com ela, como o medo, a raiva, a tristeza, a alegria e o amor. É um sentimento adquirido, que os sistemas usam para controlar.

O aprendizado da culpa é bem antigo. Inicia-se na infância em que a criança não sente que há espaço para colocar a sua emoção, ou sequer que ela vai ser bem aceite — sob pena de perder o Amor dos pais. Ela vai perdendo a permissão de colocar com totalidade seja o que for que está a sentir, porque isso é errado e portanto ela não merece ser amada. As linhas com que se costura esta realidade são diferentes para todos nós.

É aqui, neste relacionamento primário com Pai & Mãe que iniciamos a nossa caminhada de culpas e castigos, e que levamos para a vida. É aqui, que construímos uma série de crenças limitadoras em relação ao amor. É aqui, que tudo se distorce… Para mim, a diminuição do fardo da culpa foi significativa quando passei pelo processo PAI & MÃE, no Brasil. Até então, ficava encerrada nela, sem nada de novo me trazer. Lá, pude entrar profundamente na minha raiva, em muitas cenas e situações onde “aquela” criança sentiu uma raiva imensa ao mesmo tempo que sentia culpada por tal sentimento em relação aos pais.

Em adultos, assumimos culpas que não existem, que não são nossas, por conta de toda esta carga que trazemos de trás. Muitas das nossas acções são freadas pelo julgamento de estarem erradas — que no fundo são sentidas como a pessoa sendo errada.

Outra coisa é uma culpa gerada por actos e atitudes que são sentidos por mim como causadores de danos a outros. Ao invés de ignorar o facto ou até de entrar no auto flagelamento próprio de quem se sente culpado, a atitude madura e adulta é apropriar-se do sentimento e ver para onde ele me leva. Pode ser restaurador de poder pessoal e levar-te para descobertas importantes sobre ti mesma.

Hoje, perante um sentimento de culpa, eu coloco-me algumas questões:

  • O que é real? (o que é daqui e de agora) O que é resposta ao pano de fundo da minha infância?
  • Fui honesta, verdadeira e total com o que sentia quando decidi por determinada acção?

A partir daqui, nasce uma responsabilidade sobre a atitude e uma escolha do que fazer com ela. Junto com isto, processo a emoção associada, a raiva. Entrar nessa raiva regenera o meu poder e consequente habilidade de dar resposta (=responsabilidade) à situação em causa. Este processo de auto responsabilização vai abrir espaço para que o “outro lado” assuma também a sua responsabilidade.

Ficar agarrado à culpa é ficar encerrado em ti mesmo. Não te leva a lado nenhum e é contrário ao propósito maior do ser humano, o de crescimento.

Então, o meu convite é que nos apropriemos das culpas gravadas nos nossos corpos, expressemos as raivas e mágoas que alimentam as culpas, empoderarmo-nos com toda a verdade e frontalidade de cada acto, pondo de lado as justificações ou justificativas, e digamos: “este, esta, é quem eu Sou!”, para que sejamos donos das nossas vidas e que as nossas integridades sejam restauradas.


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Facilitamos um processo completo em que a terapia Bioenergética Individual é o trabalho central, assistida pela prática de Meditações Ativas de Osho e complementado por trabalho em Grupo de Bioenergética,estruturas de Meditação Social (AUM e todas as estruturas da Humaniversity, Energy Trance). Temos tambem uma área Corporatededicada ao trabalho com empresas em desenvolvimento. O nosso centro em Lisboa oferece Experiência de vida Comunitária e Programas Residenciais intensivos, individuais e em grupo, assim como Workshops,recebendo gente de todo o mundo.

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