Achados e perdidos

Essa semana eu perdi meu guarda-chuva.

Não era exatamente novo, mas ainda aguentaria várias tempestades, calculo eu. Ele tinha o tamanho perfeito: não deixava a chuva cair nas costas e também não te impedia de passar no vão entre o poste e o muro das casas. Uma peça e tanto. Estava comigo, na minha mão, e de repente não estava mais. Se eu deixei no metrô, no ônibus, ou em algum lugar da faculdade, não faz diferença. Importante mesmo é a reflexão que perdê-lo me proporcionou.

Alerta clichê: nós perdemos coisas todos os dias. Coisas importantes, ainda. Tempo, perdemos muito tempo. Cabelos. Oportunidades diversas. Inocência. Malícia, não. Isso não se perde. Perdemos boas conversas, boas comidas, perdemos até mesmo aquilo que nem sabemos que temos.

Se a gente for parar pra analisar, a verdade é clara: a vida é uma grande seção de achados e perdidos. Perdemos, achamos. Para cada perda, uma descoberta. E vice-versa. Nem sempre com essa relação de proporcionalidade. Às vezes mais perdemos, outras mais achamos. Essa é a dinâmica da brincadeira: para que encontremos o novo, precisamos perder o que temos. Como quando você doa suas roupas antes de comprar novas. Precisa liberar espaço para que elas caibam no guarda-roupa.

Se temos uma certeza, é essa. Quando acordamos para um novo dia, no fundo, sabemos que perderemos várias coisas ao longo dele. E disso também não exclui-se as pessoas. Também elas perdemos. Nem sempre essas perdas são importantes, do tipo que nos deixa tristes e saudosos. Perdemos sem saber na maioria das vezes, mas perdemos.

Que venham, então, novos tempos, guarda-chuvas, oportunidades, pessoas, conversas, comidas, coisas que nem saberemos que estamos encontrando… Essa é a música, a trilha sonora. E faz bem dançar no ritmo.