Acho que estamos tirando muitas selfies.


O que eu vou escrever não passa de uma história comum, é tão comum que meu nome poderia ser Maria ou José, tanto faz.
Eu nascí de uma sensação comum mesmo.

Mudanças são estranhas. É estranho que você só possa mudar quando um detalhe no seu cenário te desperte de uma vida absurda que você nem percebeu que vivia há tanto tempo. Isso é extraordinário, viver uma vida absurda sem nem perceber.
E em algum momento você, eu e todo o mundo fez ou fará isso.
Nos entregamos ao piloto automático cada vez mais fácil e com frequência temos cochilado em cima da própria existência. Tenho a sensação de que está todo mundo desleixado, desinteressante. Desnecessário.
Acho que estamos tirando muitas selfies, ao invés de estarmos aproveitando o momento. Acho que temos feito muitas fotos de objetos e poucas declarações de amor. Acho que faço isso e tenho me sentido mal. Quero o controle da minha vida de volta, desligar o piloto automático e voltar a realmente aproveitar tudo que está por aí.

Quero dizer a mim mesmo que não faz mal dançar no ônibus, eu me sinto viva…

Quero dizer a você que está tudo bem em se desesperar um pouco.
A vida assusta, de montão! Quanto mais você vive, mais você perde sua existência, mais você sabe que isso tudo aqui pode não durar nem mais um dia.

Eu gosto de respirar e sentir a leveza de um dia bom, mas também gosto de resolver os enigmas dos dias pesados.
E eu só tenho visto pessoas deslizarem sua essência para dentro de um smartphone, vendo coisas que nem querem ver. Gastando o tempo que têm em dias em branco, dias que passam e elas nem sabem o que fizeram.
Mundo de gente, somos todos tão banais! E temos que nos apegar uns aos outros, pois o universo não está nem aí se deixamos ou não de existir.
E elas sentem tédio de não ter algo novo na caixa de mensagens, elas sentem tédio quando existe um mundo tão enorme e possível para acontecer. Elas sentem tédio e não sabem mais o que fazer, pois não foram criadas para serem criativas. Não sabem inventar nada para se distrair, não sabem viver com as possibilidades. Elas estão entediadas por não saberem utilizar suas mentes magnificas.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Paloma Paz’s story.