Empreender Não É Para Cardíacos


O título sensacionalista é pra chamar atenção mesmo. Se você quer empreender de verdade tem que aceitar a idéia de se entregar aos altos e baixos dessa vida. No mundo cada vez mais unificado, você tem que ser o primeiro, e manter-se no território ocupado. Essa é uma batalha, como as que vemos em Game of Thrones, Mad Men ou House of Cards, só que com suas próprias regras e timing.

Aqui falo de minha própria experiência empreendendo, e das coisas que tenho visto ou lido. Em resumo, vou falar de experiências que eu estou passando e que outros passaram, e que seguem um padrão. Para guiar o artigo, usarei trechos do livro The Lean Startup, um livro escrito por Eric Ries sobre o modelo enxuto de construir novos negócios.

Parte 1 — Seu produto nunca está pronto

The add-on product was so large and complex and had so many parts that we had to cut a lot of corners to get it done on time. I won’t mince words: the first version was terrible.
Learn — Six Months to Launch

A citação acima compartilha a angústia de ter que lançar seu produto na data estipulada, e precisar cortar ele em pedaços para que dê tempo de entregar “tudo”. O pior, o autor do produto admite que o produto estava terrível. É nesse ponto da vida que temos que tomar a primeira decisão difícil do empreendedor: começar a fazer.

Das poucas lições que aprendi nestes seis últimos meses é que você nunca está totalmente pronto para empreender ou criar uma startup. Se você sentir que está pronto, é muito provável que você esteja em uma zona pouca inovação. O que não é um problema, mas não é desse tipo de empreendedorismo do qual falamos aqui.

Você vai entender melhor seu mercado a partir do momento em que puder acompanhar o comportamento das pessoas, e do seu produto na mão dos usuários.

A dica da vez é: identifique o mínimo necessário para que seu produto vá ao ar. Lance o produto. A partir daí comece a identificar as prioridades do projeto e as modificações mais importantes. Isso vai economizar tempo, recursos ($$$) e vai lhe garantir muito aprendizado.

Parte 2 — Minha marca pessoal e empresarial

Personally, I was worried that the low quality of the product would tarnish my reputation as an engineer. People would think I didn’t know how to build a quality product.
Learn — Six Months to Launch

Acredito que se você abriu um empreendimento com as intenções corretas, essa preocupação vai surgir milhares de vezes em sua cabeça ao longo de toda a sua vida. Ter uma marca pessoal e empresarial bem vista é essencial para que possa gerar confiança em seus primeiros consumidores e investidores.

Imagine que tudo dê errado e sua reputação vá para o saco. Seus próximos empreendimentos, ou idéias e apresentações vão ser recebidas com olhares tortos. Talvez.

O ponto da parte 2 é que, ao lançar o produto, muita coisa está em jogo, assim como o seu próprio negócio.

Esperar o produto perfeito para iniciar é um suicídio. Isso é adiar o aprendizado e conhecimento sobre os seus clientes por muito tempo. Lançar um produto é a melhor forma de se aproximar deles e descobrir mais rápido onde estão os gargalos do seu negócio.

A dica do parágrafo é, feito que identificou e executou o mínimo necessário para o seu produto lançar, lance-o e divulgue-o. Se possível entreviste alguns usuários.

Os clientes vão reclamar, mas tenha em mente que essas reclamações são essenciais para crescer rápido. Fazendo um bom trabalho de curadoria com as reclamações, você sai ganhando. É só não as assumir como um ataque pessoal.

Parte 3 — Sem tremeliques, fique próximo aos telefones

As launch day approached, our fears escalated. In our situation, many entrepreneurial teams give in to fear and postpone the launch date. Although I understand this impulse, I am glad to persevered, since delay prevents many startups from getting the feedback they need.
Learn — Six Months to Launch

Lançar novos produtos na Ingresse sempre me fez tremer de ansiedade. Sempre vai ter um usuário fora do seu padrão de uso, ou que está sob condições que você não imaginou testar.

No trecho citado, Ries comenta sobre a angústia que triplica de tamanho quando de acordo com que o tempo vai se aproximando ao dia final. Logo em seguida, ele comenta que outros teriam optado por adiar a data de lançamento, e que esse é um impulso comum e esperado — Eu particularmente já senti isso várias vezes — . Esse sentimento é uma válvula de escape não ideal.

Sair da zona de conforte é duro e difícil. Você mesmo se responde dizendo: eu não sou obrigado a sair daqui e correr esse risco. Existem milhares de alternativas de se ter sucesso na vida. Dentro do empreendedorismo que falamos aqui, não há como fazer sucesso sem sair da zona de conforto. E há quem veja nisso beleza.

A dica desta parte é, inicie o trabalho e se planeje para que a data de lançamento não seja postergada, se for necessário, coloque um terceiro para lançar, ou um script automático — o que na minha opinião exige mais coragem ainda, tenho muito mais preferência por acompanhar.

Na mesma citação, ele comenta o quão orgulhoso está de ter mantido a data. O IMVU, produto que ele estava lançando, não foi um sucesso de downloads, mas foi um sucesso para a equipe. Apenas depois de seis meses, com o lançamento de um produto com recursos que não eram os procurados pelos usuários, entenderam que precisavam ter lançado antes, e começado a perguntar dos usuários.


O ponto conclusivo da história é que você deve aprender a se desapegar de seu habitat normal. Se você quer crescer rápido e aderindo adeptos por onde for passando, vai ter que se acostumar com a idéia de que:

  1. Você tem que ser o primeiro fazendo algo, mesmo que seja com o mínimo e que você seja o primeiro só na percepção do usuário.
  2. Seu produto tem que ter algo novo, leia sobre a estratégia blue ocean.
  3. Você tem que estar próximo dos seus usuário. Não se esconda.
  4. Antes de se preocupar em ser bem visto, você tem que ser visto. Invista em marketing e relações.
  5. Tenha uma frase em mente: na prática, a teoria é outra.

Durante a primeira semana de vendas de ingressos na Ingresse para o show do PitBull, em Manaus, os telefones não pararam de tocar, imprevistos não pararam de aparecer e as vendas não paravam de chegar. Pegar o segundo lote de ingressos para vender não me parecia certo em vários momentos, devido a quantidade de problemas que precisavam ser corrigidos a toda hora. Ler os parágrafos do livro The Lean Startup foi confortante. Eu não era o único. Se você me perguntar o que sinto agora, eu diria:

Although I understand this impulse, I am glad to persevered, since delay prevents many startups from getting the feedback they need.
Learn — Six Months to Launch