vamos falar sobre café

um casal de homens se encarando amorosamente

Muito tempo venho querendo escrever sobre isso. E apesar de que gosto de começar meus textos com metáforas esse não vai começar assim.

Todas as manhas. O pequeno Carlos acorda, enrola na cama, demora pra levantar, toma um chá, e escova os dentes e sai por ai num mundo que mais ou menos toma café de uma maneira compulsória. O que acontece é que no momento onde nosso personagem claramente fictício pisa os pés pra fora de casa, ele vive num mundo onde café não só é a norma, como muitos dos bebedores de café não aceitam que outra pessoa goste de beber chá.

"Um absurdo esse negócio de beber chá, bebida de verdade é meu café coado" diz Pedro ao perceber que o mesmo recusou um café no trabalho. 
"a gente até aceita ele beber chá mas é uma pena né" Antonia lamenta fingindo um elogio. Carlos se sente triste, seus anseios não tem vazão porque poucos ali conversam sobre as deliciosas folhas de chá que ele achou a venda num bazar do outro lado da cidade..

"A china é um pais tão diferente né, lá as pessoas bebem chá como se não fosse nada" reclama Fernanda ao seu colega e ótimo ouvinte Felipe. Felipe está ali, atenciosamente assoprando seu café aguado e sem açúcar. que ele não pode contar para ninguém que isso faz ele lembrar do chá que ele toma em casa. Quero dizer. Felipe pode contar a todos que toma chá. mas se o fizer ninguém jamais o chamará de novo para tomar café, e ele genuinamente também gosta de café… Também.

Pedro, se encontram com Felipe todas as semanas, eles saem pra tomar chá e comer uns bolinhos. Pedro conta de sua solidão ao não se reunir ao redor a cafeteira e falar sobre trivialidades. Felipe se condói, pois sabe que seu café aguado nunca vai ser aceito por quem ainda faz piadas que "café no coador é mais forte". "Coisas assim implodiriam a cabeça das pessoas daquele lugar, elas não saberiam jamais lidar com isso" diz Barbara. E todos voltam meio tristes pra casa. meio sem lugar no mundo. porque afinal o mundo é pra quem bebe café…

Como prometido, o texto anterior não tem nenhuma metafora. e não significa nada alem de uma reclamação sobre bebidas. 
Já sobre barbara, bom, ela gosta de leite

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.