Da importância de estourar bolhas

Crédito: Richard Heeks

Hoje, sem dúvida, foi um dia especial. Participei de um evento lindo, “O maior hoffice do mundo”, organizado pela empresa livre Baobbá (mais sobre empresa livre aqui), repleto de palestras ótimas e impactantes, momentos de introspecção e ótimas energias. Muito amor envolvido.

No entanto, vim pensando no caminho de volta pra casa (algo inevitável dada a natureza do evento), refletindo com minha namorada, que esteve lá comigo, a respeito de tudo que vi e vivi. O papo então passou para toda a esfera disruptiva e iluminada que está se desenhando mais e mais a cada dia em todo o mundo. E nessa onda de pensamentos, percebi que, ainda que tudo seja lindo, o acesso a isso ainda é bem restrito.

No evento, parecia que não havia uma só pessoa que não houvesse feito ao menos uma viagem para o exterior. Vi gente (em maioria, branca) com trajetórias incríveis, passando por grandes corporações e altos cargos, ou então por comunidades alternativas em diversos cantos do planeta, até com graduação na NASA (!). E aí, pensando não só em hoje mas em vários conhecimentos e novidades que já ouvi falar ou li a respeito, me perguntei: e a capacidade criativa das favelas e comunidades pelo Brasil e pelo mundo afora? Será que eles não tem pontos de vista que ainda são ignorados por todas essas pessoas super-mega-graduadas e viajadas?

Como bem disse uma das palestrantes do evento, a Lilly Hastings, às vezes vamos pra meios mais espiritualizados para fugir do egoísta e superficial modo de vida vigente, mas acabamos descobrindo que, mesmo nesses meios, encontramos muito da superficialidade, do egoísmo e daquilo que estávamos fugindo. Acho que isso também pode se aplicar às empresas livres e a todos os modelos alternativos em ascensão e construção. Saibamos, então, reverenciar e incluir a sabedoria popular, as manifestações culturais locais, os folclores, a cultura negra e indígena, o “baile de favela”. Tudo isso incluíndo as próprias pessoas inseridas nesses contextos, possuidoras “nativas” dessas bagagens. Fazendo isso sem tentar nos apropriar, mas sim trabalhando em conjunto, empoderando um ao outro, talvez encontremos mensagens e lições tão importantes, iluminadas e inspiradoras quanto os livros do Osho ou as palestras de um Nobel da Paz.

É bom estejamos conscientes desde já de que, ao pensar que estamos saindo de uma bolha, podemos estar somente olhando para uma parte mais brilhante dela. Que saibamos estourá-las juntos.

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