Sons

“Ei roqueira, vem fazer um dread!” grita o sujeito do outro lado da rua. Em meio aos corres da 24 de Maio é possível ouvir as propagandas da farmácia, os ambulantes e a chapa da lanchonete. Mesmo assim, se prestar atenção ao fundo, escutará o reggae que sai pelas portas da galeria presidente. Na calçada os dreadlocks balançam no ritmo enquanto tentam vender sua arte.

O ambiente é outro quando se cruza a rua e adentra a galeria do rock. Não, você não vai escutar Hendrix, Joplin, ou Iron Maiden, ao contrário do que se espera, a batida de um rap vai pulsar no ritmo do coração. Se busca riff de guitarra, procure nos andares acima em meio aos zumbidos da maquininha de tatuagem.

Dentro da estação república, não se assuste se escutar um tango em meio aos giros da catraca, uma apresentação de dança acontece na parte superior as plataformas. Sinta-se no expresso de Hogwarts no trajeto até a próxima estação, e em um concerto de Andrea Bocelli na baldeação seguinte.

Escute o que quiser ao fone de ouvido, se preferir esquecer as conversas paralelas. Mas não se surpreenda ao pausar a música para entrar em um ambiente calmo e encontrar a mesma “Take on me” do A-ha, que antes pertencia ao streaming do seu celular nos auto-falantes da recepção.

Em São Paulo você vai encontrar música em meio a rotina, seja o Justin Bieber que vaze de um comércio ou o Legião Urbana da loja seguinte, propositalmente nos fones de ouvido ou ocasionalmente do músico que entra no Metrô.