“Não estou preocupado com dinheiro”

“Para mim, é uma das coisas maravilhosas, fantásticas, da vida religiosa, você não firmar em um lugar”, afirma redentorista

Entrevistado: Ir. Diego Joaquim

“Sou religioso, sou jornalista, acho que menos historiador, vou falar isso com respeito aos historiadores verdadeiros, sou mais jornalista do que historiador”. No quarto andar, uma sala fria, porém bastante confortável, localizada em um departamento radiofônico. Lá fora pode-se ouvir toda a rotina da comunicação das rádios da Rede Pai Eterno.

O feixe de luz brilhava entre nós dois e deixava claro que a manhã de terça-feira seria produtiva e emocionante. Seus olhos com expressão distante e levemente amedrontado mostra que se trata de uma pessoa culta e erudita, mas seu sotaque goiano quebra todo paradigma pré-estabelecido nas primeiras impressões.

O bairro escolhido para a conversa é Campinas, o setor é mais velho que a própria Goiânia. O prédio, localizado na histórica 24 de outubro. Assunto que interessa o redentorista Ir. Diego Joaquim, 33 anos de trabalho religioso, que ele mesmo diz ser sua obrigação mais prazerosa, seu estímulo de vida, sua necessidade. Porém com uma bagagem de Licenciatura em História, nos remete a um novo modelo da Igreja católica. “Não posso reclamar. Eu acho que ainda tenho muita coisa pra renunciar”, responde o consagrado, depois que pergunto sobre suas renúncias pela Igreja.

Conseguir uma manhã de conversa, na verdade um pouco menos que isso, com um religioso, que trabalha em mais de sete empregos, os que consegui contar, e está em mais de dois lugares ao mesmo tempo, ora em sua cidade natal, ora em Aparecida do Norte ou Tocantins, não é fácil, uma oportunidade rara e talvez única. Pergunto se seu nome é realmente apenas Diego Joaquim de Sousa, amistoso, ele me responde: “Diego Joaquim Pereira de Sousa, é meu nome de batismo, mas abrevio”.

Sentado um pouco de lado, seu braço esquerdo apoiado numa mesa de escritório, às vezes esbarra em um teclado de computador, mas com os olhos fixos em mim e no seu telefone celular, que ele usa para responder as mensagens de texto em alguns momentos da conversa. Pergunto se ele está disponível para a Igreja 24h de seu dia. Sem titubear, responde: “Tem que ser assim”.

O senhor optou em ser religioso consagrado, irmão. Qual a diferença entre padre e irmão?

Na vida da Igreja Católica, temos duas categorias de fiéis, o povo de Deus é dividido em duas categorias, que são os clérigos e os leigos. O clérigo é o diácono, o padre e o bispo, que são ministros dos sacramentos, somente homens podem ser diáconos, porque é a tradição da Igreja. O restante são os chamados leigos, é o povo de Deus. Dentro desse povo de Deus, há pessoas que decidem consagrar sua vida dentro de um carisma específico, ou dentro de um jeito especifico de servir a igreja, é a chamada vida religiosa consagrada. A vida consagrada é formada por homens e mulheres. São os religiosos, franciscanos, redentoristas e outros… Esses grupos de religiosos possuem membros, tanto dos leigos quanto dos clérigos. Então, quando você vê uma freira, ela não é clériga, ela é leiga. No meu caso, eu sou religioso consagrado, mas eu sou leigo, eu não sou padre. Há alguns padres que são consagrados, também em um carisma específico. De exemplo, temos o Padre Robson de Oliveira, ele é redentorista, na minha congregação, ele é provincial. A diferença do religioso para o padre é essa, o religioso consagra sua vida, mas não é sacerdote. Ele continua leigo, mas é consagrado, dentro de um carisma específico na Igreja.

O caminho religioso apareceu de que forma na sua vida? Por que escolheu ser seminarista?

Em 1996, eu fui a pé para Trindade e chegando lá eu fiquei encantado com tudo aquilo, foi uma experiência que marcou muito. Eu tinha 12 anos, passava por uma situação familiar bastante complicada e no final daquele ano, eu senti o desejo de ser padre. Peguei um livrinho da festa de Trindade, achei um telefone nele e liguei nesse telefone. Eu lembro que quem atendeu foi o Frater Robson, na época não era nem Padre Robson e começamos um caminho vocacional durante todo o ano de 1997. Participei dos encontros vocacionais. E entendi bem o que era ser religioso consagrado, o que era ser padre e tudo isso escondido dos meus pais, só depois do terceiro encontro vocacional que contei aos meus pais. Eu já frequentava a comunidade católica, perto da minha casa. E entrei para o seminário em 1998, na época eu tinha 14 aos e cursava o segundo ano do ensino médio.

Como foi essa experiência de sair de casa e morar longe da família?

Foi a primeira vez que estava morando fora de casa, em um seminário com 30 outras pessoas. Fiquei lá um ano e dois meses, não consegui me adaptar e saí. Foi muito frustrante, porque independente da sua idade, você sai determinado para uma coisa e tem que voltar atrás, isso te marca profundamente. Voltei para casa chorando, envergonhado, arrependido. Porque antes eu trabalhava, tinha meu dinheiro, larguei tudo aquilo e fui para o seminário e um ano depois eu volto, digamos, com a mão na frente e outra atrás.

Como foi tocar sua vida após desistir de um sonho? O que fez após sair do seminário?

Depois disso, terminei o ensino médio e fiz vestibular. Passei e comecei no curso de História, pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Não queria mais saber de vida religiosa, mas eu tinha um medo muito grande no curso de História, de todo curso na área de humanas, que era perder a fé e eu tinha muito medo disso acontecer. Paralelo a entrar na faculdade, eu mudei de paróquia e passei a participar na Matriz de Campinas. Então, são duas coisas: eu estava na congregação e estava na faculdade, entre dois ambientes muito diferentes, mas não abria mão de nenhum dos dois. Quando terminei o curso, continuei dando aula e sempre trabalhando na paróquia. Quando estava na paróquia o padre que tinha sido meu diretor no seminário se tornou pároco, Padre Valmir, eu fiquei num grande medo disso, mas ele, ao contrário, me acolheu muito bem, até pediu para eu ajudar no jornal da paróquia.

Sua experiência no rádio, iniciou com esse contato da Igreja Católica. Conte sobre seu início no rádio?

No ano de 2005, eu fui ajudar no jornal da paróquia e outro padre, que é o PE. Rafael, conhecia um amigo que foi seminarista comigo e sabia que eu achava rádio uma coisa fantástica e me convidou para ajudar no programa de rádio que a Arquidiocese de Goiânia tinha na época. Fui ajudar, montamos o programa no domingo. No domingo seguinte, aconteceu um fato histórico, o Papa João Paulo II morreu no sábado e no domingo teve um programa especial à noite. E nós estávamos ali em um especial sobre o fato, foi uma emoção muito grande, aquilo me empolgou muito. Naquele ano, passei a ajudar no jornal e na comunicação da arquidiocese, ainda dava aula de história na rede pública. Porém, o padre Rafael me convidou para trabalhar na Rádio Difusora, mas teria que deixar a escola, ganhar menos e ter que estudar Jornalismo, eu aceitei o desafio. Saí da escola, tinha passado em um concurso da Prefeitura de Aparecida, não tomei posse. Entrei na Faculdade Araguaia e arrisquei entrar na rádio, para ganhar a metade do que eu ganhava na escola, mas fui e fiquei.

O que te fez voltar para a vida religiosa?

A Rádio Difusora é uma rádio dos redentoristas, pertence ao meio católico. Nesse tempo que eu estava na rádio, os meus amigos que tinham entrado comigo no seminário ou já estavam se ordenando padres ou já estavam na sua consagração como religiosos, irmãos consagrados. Então um irmão, Marcos Vinícius, me disse que essa vocação estava sendo reassumida na vida da Igreja e incentivada, que são os homens consagrados, que não são padres, o que nos permite trabalhar em várias coisas, inclusive comunicação. Eu fiquei tocado por aquela conversa, passou um tempo, eu ainda na rádio, o padre Rafael, que era o diretor na época, tinha vindo de uma reunião dos redentoristas, chateado, porque os redentoristas tem um grande trabalho na comunicação, mas não tem gente pra tocar esses os trabalhos. Aí eu disse: “Olha, eu gostaria muito de poder ajudar, mas acho que a congregação não vai me aceitar, porque já faz 10 anos que eu saí.” Ele respondeu: “Mas quem disse que não te aceita? Espere vou falar com provincial [Na época o Padre Fábio].” Isso eram 16h30, à noite eles me deram a resposta de que eu poderia voltar quando quiser que estariam de braços abertos. Fiquei feliz demais, era novembro, aí eu já entrei no ano seguinte. Acertei nos outros trabalhos que eu fazia por fora, zerei tudo e tranquei minha faculdade. Fui morar em Goiandira que é próximo de Catalão, numa casa de formação de irmãos. Fiquei lá oito meses e a gente mudou em março do ano seguinte. Quando eu cheguei a Goiandira, uma de nossas rádios precisou de alguém pra gerenciar e acabou caindo para eu trabalhar na rádio Xavantes de Ipameri, que é a segunda emissora radiofônica católica do Brasil, a primeira rádio do interior de Goiás e tem mais de 60 anos. Fiquei lá até o final daquele ano e no ano seguinte da minha formação, foi o noviciado que é aqui em Goiânia em uma chácara. Um etapa fechada que a gente decide se vai ficar na vida religiosa ou não, antes de fazer os votos. Aí o rádio me perseguiu também no noviciado, porque passou transmitir um programa de rádio direto do noviciado.

Você teve alguma certeza de que realmente estava no caminho certo?

No final daquele ano aconteceu para mim uma prova de Deus de que eu estava no caminho certo, meus pais eram separados e quando eu saí para entrar na congregação, meu pai estava com outra mulher e minha irmã decidiu se casar. Minha mãe estava sozinha. Aí meu pai perguntou se eu poderia deixar essa vida religiosa e cuidar da minha mãe, porque ela não poderia ficar sozinha. Mas eu disse a ele: “Não casei com minha mãe, como ela eu tenho que tocar minha vida.” Mas, por graça de Deus no meio do noviciado exatamente no meio, meu pai quis conversar comigo e foi para mim uma libertação da minha relação com ele, que foi um tanto ausente na minha infância toda. Ele me pediu pra namorar com minha mãe. Eu falei: “O senhor pode namorar minha mãe.” Eles começaram a namorar. Eu viajei na missão do noviciado em Minas Gerais e chegou o Dia dos Pais e eu não consegui falar com meu pai, eu liguei para minha mãe e falei: “Mãe, manda um recado para o meu pai, um abraço de Dia dos Pais.” Ela respondeu: “Quando ele chegar eu digo.” Eu perguntei a ela se ele iria em casa naquele dia e ela respondeu que desde a ultima vez que fui na em casa, ele já tinha ido para lá. Para mim, foi uma confirmação de que eu estava no caminho certo porque as coisas vão se ajeitando, Deus vai confirmando que você está no caminho certo. No ano seguinte, sendo o ano da minha profissão religiosa [momento da consagração], voltei para terminar o curso de Jornalismo, voltei para Rádio Difusora. E aí fui tocar minha vida, eu professei em 2009. Então já tem sete anos de profissão religiosa, três anos de profissão perpétua.

Você vem de uma família tradicional católica, eles aprovaram suas decisões?

Sim, com todas as ressalvas, porque com certeza o pai e a mãe têm projetos diferentes para o filho. Meu pai queria que eu fosse advogado, minha mãe queria que eu fosse padre, minhas irmãs com certeza queriam ter sobrinhos. Minha avó infelizmente faleceu dizendo que iria morrer sem conseguir ver minha missa, mas todos apoiaram, graças a Deus. Eu nunca posso falar que alguém fez oposição, todos respeitaram minha escolha. Estou na vida religiosa, trabalho como jornalista, trabalhei como professor e gostava muito do que eu fazia e gosto do que eu faço. Não estou preocupado com dinheiro e acho que é isso que as pessoas deveriam fazer na hora de escolher seus caminhos.

Morar com outras pessoas, vindas de vários lugares, são várias histórias. Como é a vida no seminário? Você ainda mora em um?

O religioso mora no convento, eu moro em um convento. O seminário é uma casa de formação religiosa. O seminário é onde você mora quando inicia na vida religiosa. No convento, é onde moram os religiosos, digamos quem está pronto para o trabalho. Eu moro desde a época em que fiz os votos. No de Campinas morei três anos, depois morei dois anos em um de Brasília, depois mais um ano aqui em Goiânia no setor Universitário e depois voltei para Campinas. Já é meu segundo ano nessa segunda temporada aqui em Campinas

Ao ser religioso, não dá pra criar raízes. Por que não tem um lugar fixo? Essas mudanças são necessárias?

Para mim, é uma das coisas maravilhosas, fantásticas, da vida religiosa, você não firmar em um lugar. Eu estava muito bem. Em Campinas há cinco anos, os meus primeiros três anos, eu trabalhava na paróquia, trabalhava na rádio, mas aí precisou de mim em Brasília para ajudar a paróquia e pra colaborar na conferência dos bispos, no trabalho da assessoria de imprensa da CNBB. Eu fui e assim com medo dessa primeira experiência de morar numa área nobre de Brasília, preocupado, desacostumado com aquilo, mas fui e me adaptei. Eu acho que cada mudança, cada transferência é uma oportunidade de se reinventar, se refazer até como religioso. Cada mudança é necessária para a própria renovação do consagrado, que vai doar seus talentos e aprender também com o povo para onde ele vai e o povo também terá uma oportunidade de descansar de certas chatices dos religiosos (risos).

Você tem essa necessidade de não se fixar em algum lugar?

Não, pessoalmente eu sou uma pessoa super conservadora, eu mudo por obediência, não porque eu quero, eu gosto que as coisas continuem como estão, não sou muito dado à mudanças. Mudar, transferir, eu penso que sempre é muito difícil, mas é necessário. Mas é da minha estrutura ficar quieto. Vejo pelas experiências que eu tive, que são até pequenas, tem gente que tem experiências maiores. Tenho um colega que estava tranquilo em Goiânia, foi para o Tocantins, dois meses depois o mandaram para Roma. Isso é uma mudança mais radical e as minhas mudanças foram muito tranquilas, mas acho que é sempre uma oportunidade de renovação que nós temos.

Atualmente você desenvolve vários trabalhos com a igreja. Comente sobre suas ocupações e como consegue conciliar tantas tarefas?

Hoje eu trabalho no santuário do Perpétuo Socorro, lá eu cuido da liturgia e da comunicação. Esporadicamente, colaboro no santuário de Trindade, trabalho nas rádios da Rede Pai Eterno, na qual também coordeno a programação, e na Difusora apresento um programa jornalístico. Sou coordenador regional da Pastoral da Comunicação tenho que acompanhar Goiás e Distrito Federal. Tudo que eu faço, o jornalismo, o rádio, para mim, tudo é missão. Por conta de várias atividades dentro da igreja e por não saber dizer não, eu acabo aceitando convites para vários lugares. Eu gosto do que eu faço. Tem dia que eu paro e falo: “Gente, como que pode? Feriado, todo mundo de boa e eu estou aqui com esses compromissos que eu tenho que ir.” Mas o bom é o cansaço que vem depois, porque estou cansado, mas estou realizado.

A fala e a retórica obviamente não são problemas pra você, mas tem algum público especifico que você teria uma maior dificuldade para falar?

Tenho facilidade para falar até falo demais. Mas tenho dificuldade para falar com crianças, com jovens também, dependendo do assunto não me agrada. Mas normalmente eu aceito qualquer trabalho. Adolescentes exigem certa dinâmica, que me falta, mas isso também está ligado ao assunto, dependendo do assunto eu falo pra qualquer idade. Eu também tenho muita dificuldade para falar para a câmera, não sou satisfeito em me ver na TV, quando tenho que falar para câmera eu fico mais nervoso. Mas se você abre o microfone no rádio… “vish!”, eu falo horas. Agora ter que falar para uma câmera eu fico constrangido. O problema não é quem está atrás da câmera, o problema é o que a câmera está vendo, que quando eu assistir, não vou ficar satisfeito. Então, televisão para mim é difícil.

A comunicação abre caminhos para pensar além dos dogmas. No seu caso você não precisou separar religião de comunicação, um complementa o outro. Você vê dessa forma?

Eu faço comunicação católica, eu entro com tudo aquilo que é valor para mim, na minha religião, então quando eu faço um comentário sobre a crise econômica do Brasil, eu tomo como perspectiva aquilo que a Igreja está pensando e refletindo nos últimos anos. Eu não posso falar o que me vem à cabeça, tenho que comunicar na perspectiva do que Igreja diz, por que eu sou comunicador católico, sou comunicador da igreja. Mas eu também sei que quando vou dialogar com quem não está neste universo eu tenho que adotar outra linguagem. Dizer que a comunicação católica, na qual eu trabalho, é uma comunicação fechada, que vai defender a perspectiva da Igreja, não. É a comunicação da escuta, é a comunicação do diálogo, mas também do respeito, ela não é marcada pelo proselitismo que quer tentar convencer as pessoas, dos dogmas da igreja, nós apresentamos a nossa perspectiva. Claro que é um desafio até para nós, para dentro inclusive da própria Igreja. Há muitas posições que a Igreja assume que dentro dela também não são consenso, que não são assumidas 100% pelos membros. Mas é a perspectiva oficial, que eu converso.

Você disse que baseia seus comentários de acordo com a perspectiva da Igreja, mas você realmente comenta só o que a Igreja pensa ou você tem opinião própria?

(…) Assim, é muito difícil separar isso. Eu sou católico, a minha formação é essa, talvez eu possa discordar numa coisa menor e isso eu guardo na intimidade. Mas quando eu falo publicamente, falo do que acredito, não falo: “Ah, vou falar disso porque a Igreja diz, mas eu não acredito.” Não, tem que ter coerência, mas eu não posso ser irresponsável de apresentar para um grande público algo que um cara de 33 anos pensa da vida. Então, eu firmo minhas opiniões, minhas reflexões a respeito dos assuntos, tanto políticos, econômicos, da crise que a sociedade fundamenta, em uma base sólida, em um caminho que foi refletido por uma instituição que tem 2 mil anos. Não vou firmar na minha experiência de vida. Não vou fazer isso no ambiente público, não vou usar um microfone de uma rádio que não é minha para isso. Quando uso o espaço da rede católica para apresentar um comentário, é um comentário, da rede católica de rádio apresentado pelo irmão Diego, fundamentado na posição da Igreja em determinado assunto. É a minha posição, sim, porque o Ir. Diego é católico, mas aquilo que eu não concordo, eu não vou dizer, porque esse espaço não é dele e também porque não considero relevante, o que eu penso fica por último. (risos)

Por mais que você seja religioso, você é um profissional versátil, não te assusta todas essas experiências?

É… (Longa respiração), um pouco, não sei dizer, não. Mas acho que sou um bom jornalista, por causa do curso de História. Porque o historiador ele análise dos fatos mais remotos. Não é possível fazer história do presente, acho que quem faz história do presente é o jornalista. Mas a historia me ajudou exatamente a escrever, me encorajou a escrever. Depois que comecei a trabalhar no Jornalismo, eu tive que reaprender a escrever, porque a escrita historiográfica é diferente da escrita jornalística, porque ela é mais objetiva, mas eu passei fácil por essa transição, tanto que hoje tenho dificuldade para fazer uma escrita historiográfica, tenho dificuldade até de ler. Mas me facilitou na redação e me encorajou a falar em público. Cinco anos de sala de aula em escola pública, não teria problema nenhum de falar para 10 ou 15 mil pessoas. Não tenho dificuldade em falar para uma multidão ou para um grupo que queira me ouvir, não tenho medo. A História me ajudou, medo de ter essa versatilidade não tenho, porque é emocionante, você não está sempre fazendo a mesma coisa. Tem dia que estou aqui, preocupado para produzir a gravação de um terço. Mais cedo apresentei um jornal, que estávamos falando de uma criança, que estava sem atendimento em um hospital. E daqui a pouco vou celebrar a novena na Matriz de Campinas. Então essa versatilidade é emocionante.

Você disse que não tem dificuldade em falar para um grande público, qual o foi o maior número de pessoas, que você já falou?

Eu não sei (risos). Por exemplo, já animei uma celebração na Festa de Trindade, que a praça estava lotada, com o PE. Robson e ainda tinha a televisão lá. Em Aparecida do Norte, a mesma coisa, lá no santuário nacional, lotado e ainda tinha televisão. Não sei dizer o tamanho da minha audiência (risos), mas não tenho problema em falar pra uma multidão. Agora em uma palestra, em uma formação, que é algo diferente, um publico que vai ficar comigo, me ouvindo durante uma hora e meia, nesse caso, já falei para 2 mil pessoas. É mais difícil você falar para pouca gente por que você está mais próximo das pessoas e não sabe como elas podem reagir.

Essa entrega que você faz diariamente para a Igreja, para a missão, você vê como obrigação, como paixão ou como estilo de vida?

(longa pausa) Paixão… Eu vou ficar com essa palavra, porque ela se aproxima mais. Eu não consigo definir, mas fico com a paixão. Porque a paixão é aquilo fazemos sem pensar em uma compensação, eu não sinto que devo ser compensado ou recompensado por Deus, por tudo que eu faço. São Paulo até fala: “Sou servo inútil, eu faço o que é minha obrigação”, então eu faço porque é minha obrigação, é minha paixão fazer isso. Uma frase no evangelho em que Jesus fala, me inspira muito: “Meu alimento é fazer a vontade do Pai”, então para Jesus fazer a vontade de Deus, era alimento, era sustentação, era vital. O meu trabalho, minha consagração, é o que me alimenta, é o que me faz acordar num sábado de manhã, que muita gente dorme até mais tarde e ir trabalhar. É às vezes renunciar um momento de lazer para poder trabalhar, porque isso é apaixonante. Vamos ficar com a definição pra fechar a rima, minha paixão é obrigação, minha obrigação é minha paixão.