“Vejo-me muito inquieta”

“Caí nesse mundo da Administração de paraquedas, entrei na faculdade para cursar turismo”, diz Karla Vaz Malaquias

Entrevistada: Karla Vaz Malaquias

Karla Vaz Malaquias é aquela profissional modesta, que tem conhecimento do seu sucesso, porém não espalha aos quatro ventos. “Preciso de muita coisa ainda, pra ser completa.” Nosso encontro acontece em uma mesa de lanchonete instalada dentro da faculdade. “Cheiro bom de comida fresquinha”. Esse foi seu comentário antes de iniciar a conversa.

É notável sua postura tímida e decidida. Serena! É a palavra que a define nesse momento. Mulher, empresária, professora, com experiências em praticamente todos os campos dos negócios, não poderia ser diferente. Um ar agradável deixa claro que a conversa pode ser longa, tamanha a segurança e o conforto que ela transmite.

“Fui apresentada ao Marketing e me encontrei”, afirma a administradora

Esconde um segredo: “Publicidade é minha paixão, me arrependo de não ter feito”, diz. Formada como administradora, porém com grande conhecimento e especialização em marketing, Karla nos mostra o profissional inovador e eficaz que ela é.

Após deixar claro que o foco da entrevista é sobre carreira e docência, pergunto a ela quem é Karla Vaz Malaquias. Ela oscila em pensamentos, titubeia, até dizer: “Pergunta difícil… Quem sou? Considero-me uma pessoa batalhadora, responsável, que luta pelos seus objetivos, muito competente.” Rimos e concordamos que falar de si mesmo é mais difícil que falar dos outros. Um currículo extenso mostra seu valor e o caráter. Apesar de ter tido dúvidas durante sua época de vestibular.

Você tem experiência em docência para cursos técnicos e graduação. Conte sobre suas experiências como professora.

No ano de 2013, tive um pedido de socorro de uma amiga, que é professora e diretora da Faculdade Noroeste. Ela precisava de um professor pra assumir matérias de introdução à administração e marketing pessoal, para o curso de Estética. Eu disse: “Não posso negar o pedido de uma amiga tão querida”, e fui. Tive essa primeira experiência na Faculdade Noroeste com o curso de Estética, que era um curso técnico. Tive experiência também com cursos de qualificação pelo instituto I-pro e foi muito diferente essa visão dos alunos. Na Faculdade Noroeste eu estava com alunas que estavam ali porque tinham algum objetivo, porque o curso técnico você busca ele justamente pra isso, já sabe o que quer fazer. Já em cursos de qualificação, eram adolescentes de 12 a 18 anos, e muitos estavam ali porque o pai estava pagando pra fazer ou porque achava que era legal fazer o curso. São dois extremos em um ambiente onde todo mundo está realmente interessado no que você tem a oferecer e outro que você precisa buscar atenção. Depois fui pro Instituto Federal de Goiás, onde hoje estou como professora substituta. Meu contrato termina dia 1° de agosto. Consigo ver essa questão da diferenciação do público para o privado. No IFG, sou coordenadora do laboratório de eventos. E por fim, começando este ano na ALFA, que é uma faculdade muito renomada, voltada pros negócios, empreendedorismo, que busca formar um profissional passando não só teoria, mas prática.

A Faculdade Alfa busca profissionais ilimitados e você é uma profissional que não se prende só em uma área (dos negócios), você tem experiências em empreendedorismo, gestão de custos, almoxarifado e muitos mais. Você se considera com perfil?

Vejo-me muito inquieta, e quem trabalha com negócios tem essa característica. Eu não me considero empreendedora, não quero ter essa chateação de montar uma empresa, mas me considero intraempreendedora. Então, trazer todo esse conhecimento que eu busco, pra aplicar dentro da faculdade, nesse ponto me considero sim no perfil. São situações que vão sendo impostas. Você entra pra assumir uma disciplina de marketing, não quer dizer que você vá ficar toda vida trabalhando marketing, vai aparecer uma coordenadora, cedo ou tarde, dizendo: “Olha, estou sem professor de finanças, estou sem professor de gestão de estoque, tem que ser você”. Aí é a hora que você tem que rebolar, se virar nos trinta, pra poder atender essa demanda. Essa experiência vem realmente disso. Questão do empreendedor vem do SEBRAE. Eu sai da faculdade em 2009, já entrei no SEBRAE, como agente de inovação e terminei como agente de orientação empresarial. Toda essa questão empreendedora, criatividade, inovação, isso vem de conhecimento do SEBRAE, que foi uma segunda faculdade.

A área de negócios sempre foi seu ponto forte ou oscilou na sua escolha?

Nossa! Já quis ser coisa demais como odontóloga e até atriz (risos). Caí nesse mundo da Administração de paraquedas. Entrei para faculdade para cursar Turismo e chego à sala de aula, o professor falando de TGA (Teoria Geral da Administração), Fayol, Taylorismo. Pensava… não vim pra estudar isso. No primeiro dia, terminou a aula e eu fui à coordenação e disse: “Eu vim pra fazer Turismo, não Administração”. A resposta que tive é que aquela era a metodologia da instituição, que eu cursaria três anos de Administração e no ultimo ano escolheria um ramo pra especializar, no meu caso era Turismo. Com muita insistência, acabei fazendo. Lá pelo 3° ou 4° período fui apresentada ao Marketing e me encontrei. Eu vou realmente muito bem nessas outras áreas, mas o que eu gosto mesmo é Marketing,

Você fez parte do Bolsa Futuro, como foi esse projeto?

Nossa! O Bolsa Futuro é um programa governamental em que o estudante recebe um apoio financeiro do governo. São cursos gratuitos, à distância ou presenciais, para todos os níveis. Tem cursos técnicos, como técnico em enfermagem, mas também tem cursos de qualificação, como falar em público e marketing pessoal. Depende do que você procura. Sai os editais e é todo um processo seletivo pra escolher quem se adequa ao curso. Eu trabalhava com a parte de elaboração de metodologias. Não fiquei muito tempo, por problemas pessoais.

Qual a importância da gestão da marca em sua carreira?

A marca hoje em dia é tudo, é fundamental, é o que você é ou deixa de ser, é o que você representa. Nesse trabalho pude ver que as empresas não dão valor à marca que elas têm, elas acham que marca é só o nome. Meu sonho de consumo, é fazer Publicidade, queria muito ter tempo pra fazer, busco muito conhecimento nessa área. Trabalho na ALFA com o curso de Publicidade, a disciplina de gestão de produtos e marcas. É uma frustação não ter feito publicidade. Entender a representatividade das marcas para as micro e pequenas empresas foi o foco do trabalho que desenvolvi. No Marketing, eu me encontrei dentro de gestão de marca, elaboração de marca, design, branding.

Entre a administração e a docência: É mais fácil ser professor ou ser administrador?

É menos difícil, não digo mais fácil. Ser professora, você tem toda uma responsabilidade com sala de aula, com a burocracia mesmo da faculdade, como lançar notas no sistema. Quando administradora é uma questão burocrática, do processo. Fui administradora, tive a minha empresa, nessa época em que prestei serviço ao SEBRAE. É muito complicado ter empresa, você tem que montá-la, paga isso e aquilo, tanta coisa que tem pra pagar e resolver, que acaba sendo muito mais complexo. Eu considero que tenho todas as características para administrar minha própria empresa, mas eu resolvi partir, para a questão de não administrar, mas, sim, cuidar dos outros, que é a questão do empreendedorismo e intraempreendedorismo. Tenho todas as característica de uma pessoa empreendedora, mas essa questão de realmente abrir a empresa, não quero isso mais. É muito complicado.