Espacato
A vida adulta traz dores. Eu diria de alongamentos, neste caso em específico. Decidi numa dessas madrugadas aleatórias, que queria abrir espacato. Doce lembrança da minha infância no ballet, doce ilusão de que seria capaz uma década depois, sem preparação nenhuma, de fazê-lo. Levantei às 4 da manhã e tentei: não consegui e doeu.
Descobri 15 alongamentos gradativos para alcançar a famosa posição, neste poço de sabedoria que é a internet, e comecei a fazê-los. Dói bastante, como nunca imaginei que iria. Nunca precisei fazer isso aos 7 anos de idade, e aos 22 os faço e não chego nem perto do chão. Fico ali fazendo caras de dor, tentando recuperar o chacrá ou qualquer coisa espiritual que se usa em poses de yoga, para vencer o corpo e sanar a mente, mas isso aparentemente não funciona comigo. Fico tentando me visualizar fazendo aquela reunião de mãos e a consciência fica desgostosa.
Apesar da dor, continuo tentando, por honra. Assim como a maioria das coisas que nos machuca e é totalmente desnecessário na vida. Porque afinal, não temos absolutamente nenhum motivo concreto para continuar com essa besteira. De espacato, claro.