A cantora dos olhos inacreditáveis

Vamos lá, tente pronunciar: “Trzetrzelewska”.

Pois é. Ter um sobrenome desse não ajuda a carreira de nenhuma aspirante a cantora, mesmo tendo ela extensa e poderosa voz e uma estampa de não se jogar fora, com destaque para olhos indescritíveis. Daí, a polonesa Barbara não teve dúvida de assumir como nome artístico o apelido diminutivo de infância: Basia.

Nascida há 60 anos, em Jaworzno, Basia começou a aparecer do lado de cá da “Cortina de Ferro” — naquele tempo tinha isso e se você não sabe o que é, pesquise na Wikipédia, por favor — em meados dos anos 80, quando já tinha por volta dos 30, no Matt Bianco, grupo de pop jazz que flertava descaradamente com a bossa nova e cujo maior sucesso (haãã… único) no Brasil foi “More I can bear”.

Obviamente grande demais para o papel secundário que desempenhava no grupo britânico (e também pelo fato de começado a se relacionar com Danny White, um dos seus fundadores), Basia partiu para a carreira solo, já em 1987, e ainda hoje está na ativa, fazendo sucesso no circuito de festivais de jazz.

Time and tide — Música de trabalho do primeiro álbum solo, que leva o mesmo nome, é Basia “au grand complet”, com direito à voz escalando do contralto a quase o soprano, e, no vídeo, à presença do maridão ao piano, à correta pronúncia do nome artístico e aos olhos impossíveis.

Waves of march — Não se pode acusar Basia de falta de ousadia. Depois de mandar ver “Until back to me”, clássico de Aretha Franklin, a polonesa encarou, em 1998, “Águas de março”, de Tom Jobim, da qual Elis já tinha tomado posse para todo o sempre em 1972, no disco “Elis”. Não dá para comparar, claro, mas o resultado é digno.

https://pavuna73.files.wordpress.com/2015/07/basia-waters-of-march-aguas-de-marco.mp3

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