A especialidade da casa

Meus garotos…

“Pode-se dizer que a História é, em grande medida, o estudo das formas de violência que os homens aprenderam a infligir e suportar uns dos outros, ao longo do tempo. E devo dizer que somos muito bons em criar formas de violentar nossos semelhantes e, em seguida, naturalizá-las.” (Fernando Horta)

Somos mesmo. Estamos aqui, todos, devido a genocídios cometido por milênios – a caça e o extermínio das outras espécies homo, como os neandertais e os denisovanos (houve miscigenação também porque algumas garotas espertas sacaram para que lado o vento estava soprando e pularam para nossas esteiras). A única atividade que o “homo sapiens” tem se esforçado para manter e aperfeiçoar, geração após geração, é matar.

Amamos matar porque é o único momento em que nos aproximamos do poder supremo, de sermos deus. Só existe dois momentos certos na nossa vida – nascimento e morte. O primeiro é atividade inerentemente animal – um macho e uma fêmea se unem e geram um novo ser, e este nada tem a ver com isso, é totalmente passivo.

A morte não. Ela pode ou não ser fruto do acaso, passiva. Há espaço para decisão. Você pode morrer num momento em que não espere ou suicidar-se, tomando para si o poder de terminar com a própria vida.

No entanto, nessa situação, você não pode usufruir do poder. Não pode gozar dele. Mas se matar um outro, pode. E é inebriante porque ao matar, você não apenas destrói o que aquele vivente foi ou é, mas também o que ele/ela poderia vir a ser ou fazer. Esse poder é divino.

É por isso, porque amamos acima de tudo o poder, que, desde que caminhamos sobre a Terra, já matamos tudo o que andasse, voasse ou rastejasse. E vamos continuar matando e matando até destruirmos a nós mesmos.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.