Chega pra lá que a PEC-241 veio para ficar

Parece que tem gente que não está entendendo bem a situação ao dizer que a PEC-241 poderá ser modificada pelo próximo presidente. Não vai não porque a PEC é apenas um passo no caminho dos objetivos finais do golpe (aqueles que explicitei num post anterior). No campo político, o próximo é a mudança no regime de governo, com a adoção do parlamentarismo. Vai rolar mais ou menos assim:
1.A reforma política de Aécio Neves (Golpista) é aprovada. Ela cria a cláusula de barreira, a qual, se estivesse em vigor, limaria partidos como PSOL e PCdo B, deixando como opção de esquerda apenas o PT (do jeito que está o partido, talvez nem isso, em 2018).
2.O parlamentarismo é aprovado em algum momento do ano que vem. Assim, o presidente que for eleito terá seus poderes cortados rente por este Congresso que está aí. Pelo amor de Deus, não vá me dizer que é inconstitucional alterar esta cláusula por meio de lei, ok? A Constituição de 1988 morreu e seu cadáver está insepulto aí na rua (e já começando a cheirar mal). É constitucional o que os golpistas, por meio do STF, disserem que é.
3.Para não dar sopa pro azar, o sistema de escolha dos parlamentares será o proposto por #ForaTemerGolpista — o “distritão”. Por ele, acabam-se as eleições proporcionais, ficando só as majoritárias. Isso quer dizer que, no caso do Rio, por exemplo, os primeiros 46 deputados federais mais votados serão os eleitos. Parece bom, certo? SQN. Esse sistema ajuda quem já está no poder (e com acesso às verbas) e/ou é mais conhecido, tipo ex-BBBs (desculpe por isso, Jean Wyllis), tiriricas ou quem a Globo e o resto da mídia golpista puser em destaque.
4.Para cercar pelos sete lados, volta-se com o financiamento privado de campanha, o qual dispenso-me de dizer a quem beneficia.
5.Se ainda parecer pouco, caso você não tenha notado, o PMDB e o PSDB cresceram muito nas eleições municipais. Quem conhece o mínimo que seja do sistema politico brasileiro sabe que quem elege deputado (estadual ou federal) é prefeito e vereador, que têm acesso direto aos eleitores, especialmente nas favelas, mocambos e grotões em geral.
É bom se acostumar, pois a PEC-241, em conjunto com a entrega da operação do pré-sal aos gringos, detonou o país pelos próximos 50 anos.
PS. Uma modificação no que escrevi, no ponto 3, mais especificamente. Fiquei pensando que o distritão não vai rolar. É que, com ele, as burocracias partidárias perderiam completamente o poder, pois o personalismo, que já é enorme (era pra tirar a Dilma e agora é #foraTemerGolpista), seria total e não apenas nos cargos majoritários. Os partidos simplesmente se tornariam todos de aluguel e a proliferação seria absurda, mesmo com a tal cláusula de barreira (que valeria para o nível federal, mas não tem nada escrito sobre os outros na lei). Dessa forma. é mais provável que seja o “distrital misto”, com metade das cadeiras do partido sendo por meio de eleição majoritária dentro da legenda e metade por lista fechada, com a cúpula garantindo os caciques. Há a possibilidade de “distrital puro”, com lista fechada, mais a resistência seria grande, já que aí o popular povo seria chutado do processo decisório muito mais claramente do que é hoje ou por qualquer outro sistema.