Chove-não-molha

Lugar errado

Aleluia! Não perdemos para o xavecó! E essa é a única comemoração maior que podemos ter após o jogo horrendo que os times protagonizaram, ontem à noite, naquele potreiro da taba, sob um frio semipolar. Ambos poderiam ter jogado por 90 dias, e não 90 minutos, e a partida teria terminado em oxo pela falta de técnica dos donos da casa e ausência de força ofensiva dos visitantes.

O primeiro tempo de ontem deveria ser banido da memória daqueles que o assistiram para que as recordações não os fizessem odiar o futebol. Se bem que aquilo dificilmente poderia ser considerado o mesmo esporte que é praticado por Barcelona, Real, Bayern, Leicester, Boca etc. Na taba, o que vimos na primeira etapa foram 20 caras correndo de um lado pro outro, num quadrilátero de, mais ou menos, 70m x 65m, sem outro objetivo que não fosse tomar uma esfera uns dos outros, para entregá-la de volta 10 metros adiante. Assim, não é de se admirar que só houvesse uma chance real de gol nos primeiros 45 minutos — e foi nossa, com Richarlison conseguindo acertar Gimenez quando tinha o resto do gol escancarado 5 metros diante de si.

Para etapa final, Levir tirou Richarlison e pôs Magnata. Confesso que odiei a alteração, ainda mais porque ela não parecia ter dado certo — durante uns 15 minutos, os xavecós ficaram mais com a bola do que nós. Não que isso quisesse dizer perigo para Diego, pois eles raramente chegavam à entrada da nossa grande área e, quando o faziam, ou tinham as conclusões travadas ou chutavam longe do gol.

Aos poucos, com o cansaço batendo nas duas equipes, o xavecó afrouxou

a marcação e a substituição de Levir começou a surtir efeito. Magnata, jogando pelo meio, mais à frente do que Fred, que recuava até em demasia, abria espaço para as subidas de Jonathan. Como Guto Ferreira tinha recuado Silvinho para tentar suprir a ausência de Cléber Santana, o nosso veterano lateral teve seu avanço facilitado, também pelo auxílio de Scarpa, que, com a alteração do Jarrão, também não precisou mais ficar marcando Dener.

Tudo muito bom, tudo muito bem. Passamos a controlar a partida. E aí? Aí nada. Com Magnata como centroavante, Fred como armador e Ciço e Giovanni como nada, não tinha como chegarmos ao gol de Danilo, a não ser nas bolas paradas de Scarpa. Até marcamos assim, mas Ciço estava mesmo um pentelésimo impedido. No fim, vendo que estava mesmo difícil fazer gol, os jogadores resolveram dar por encerrados os trabalhos ofensivos e recuaram para garantir o empate, o que conseguiram com poucos problemas, dada a incompetência igual do adversário.

Até a 10ª rodada, temos uma sequência que é ainda pior do que a tabela madrasta que pegamos até o momento. Jogamos três em casa e um fora, certo, mas as três no Rio são contra grandes (Falso Tricolor do Sul, gambás e bagres) e a de fora contra o CB-87. Como grande é grande em todo lugar e médio é grande em casa, temos que jogaremos contra quatro grandes em sequência e, na boa, com esse futebolzinho chove-não-molha, vai ser ruim pensarmos em vitórias diante de qualquer um deles.

DIEGO: Vida tão fácil que jogou o segundo tempo todo com dores na coxa e tudo bem.

JONATHAN: Preso à marcação de Silvinho e Dener no primeiro tempo, teve espaço para ir à frente no segundo e foi. Aí, claro, sentiu a virilha lá pelos 35 e ficou quietinho lá atrás.

GUM: Nenhum problema maior com o tal Bruno Rangel, que, vamos combinar, nunca jogou nada na vida.

HENRIQUE: Outro que teve a vida que pediu a Deus contra o ataque de riso dos xavecós.

GEOVANNI: Postou-se lá atrás na primeira etapa para dar atenção especial ao neymariano Lucas Gomes. Quando este saiu por jogar coisa alguma, como bem sabemos, foi à frente e errou tudo.

ÉDSON: Tratou de marcar e o fez bem.

DOUGLAS: Se sair do time, é caso de pichação da sede. Domina o meio como se tivesse 29 anos e 10 como profissional, e não 19 e um, respectivamente. Raramente erra um passe e me lembra o Ricardo Gomes — quando para na frente do adversário, podemos ter 90% de que vai tomar a bola sem falta.

SCARPA: Escalado para ser marcador de lateral no primeiro tempo, praticamente não apareceu a não ser nas bolas paradas. Com um pouco mais de liberdade na etapa final, melhorou, mas não jogou tudo o que sabe, talvez até por estar sentindo a puxada de ser o único que corre de verdade no meio campo, e fazer isso quarta e domingo é demais até para quem tem 23 anos.

CIÇO: Tirando o gol anulado, nada fez de útil.

RICHARLISON: Então é isso: não leva jeito para jogador de lado, pois tem enorme dificuldade para driblar. Em jogo contra grande que não marque muito e/ou em partidas nas quais o contra-ataque seja a estratégia, pode ser útil atuando assim, mas em jogos como os de ontem, nos quais espaço não existia, nada acrescenta e ainda atrapalha. A consciência de que vai mal o faz errar até no que sabe fazer de melhor , ou seja, concluir — o gol fácil que perdeu ontem é fruto da ansiedade. MAGNATA começou a jogar um pouquinho quando os xavecós cansaram e afrouxaram a marcação, mas foi muito pouco ainda assim.

FRED: Ok que não pode ficar paradão como cone no meio dos zagueiros, mas também não dá para recuar tanto como no segundo tempo, quando jogou de meia. Como não tem técnica apurada no drible e no passe, atrapalha muito mais do que ajuda.

LEVIR: A substituição de Richarlison revelou-se quase correta — tirar Richarlison, que não estava rendendo, ok; botar alguém mais perto de Fred e dar espaço para Jonathan subir, também; pôr o Maganta…Tá, já que não tinha outro; mas recuar tanto o Fred? Vai ter que dar um jeito de botar alguém mais incisivo do que Ciço no centro para apoiar o artilheiro. Dentro do que temos, talvez Scarpa seja o mais indicado, mas também não tenho certeza. E precisa também deixar os caras mortos de tanto treinar finalizações — perdendo gols fáceis como temos perdido, até o 10º lugar vai ser difícil de conseguir.

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