Ercília

Alta, forte, negra, bonita, Ercília impressionava o colega de turma. Quando abria a boca, a voz encorpada como ela, melodiosa, aumentava em uns 85 pontos (escala 100) a timidez do cabra e, por associação — vá entender a cabeça de um adolescente inseguro -, detonava qualquer ideia que ele pudesse ainda ter de aproximar-se da melhor amiga dela, paixão do garoto.

Pois há umas semanas, ao comentar um post de outra colega de turma no Pedro II (a qual, devo penitenciar-me, não era inteiramente indiferente dada as belas pernas), eis que alguém que se assinava Lia Ma Ria se apresenta. “Oi, Ivson. É a Ercília”. Papo vai, papo vem, a antiga colega diz que vive na França há 20 anos, onde — para surpresa de ninguém que ouviu a voz dela há 40 anos — se tornara cantora, com CD gravado e tudo.

Seguinte, vou escrever mais nada. Ouça, por favor, as três interpretações do link.