Os Jogos vencerão

Imbatíveis

A Vila Olímpica foi entregue em frangalhos, como, aliás, 90% dos empreendimentos de qualquer padrão por aqui; os projetos de mobilidade urbana estão mais ou menos pela metade; o mosquito zikoso ainda está por aí, como há anos, da mesma forma que a água podre da Baía. E ainda assim tenho 99% de certeza de que os XXXI Jogos Olímpicos da Era Moderna vão ser um sucesso.

Minha quase certeza se baseia no conhecimento da história dos Jogos Olímpicos (Olimpíada é o período em que os Jogos são realizados, ok?), que vem dos tempos em que pesquisava história do esporte para um projeto bancado pelas fundações Roberto Marinho e Cândido Mendes, nos anos 80. Observei que, até aquele momento e depois , eventos da dimensão dos Jogos — e da Copa do Mundo e dos desfiles das escolas de samba — praticamente não têm chance de dar errado. Sua própria grandiosidade impede isso — há gente competente demais, com vontade demais, paga por um himalaia de dinheiro, que também banca um infra gigantesca, e esses ingredientes em conjunto garantem o sucesso.

Considere por um momento os Jogos de Munique, em 1972. Aquilo sim foi um desastre: 11 atletas israelenses mortos, mais cinco árabes do Setembro Negro, um policial e um piloto de helicóptero no primeiro atentado terrorista como conhecemos hoje (os dos argelinos na Batalha de Argel não foram pensados para a mídia). No dia, pois as mortes continuaram por anos, com o Mossad matando todos os que participaram, direta ou (bem) indiretamente, do massacre, como mostra “Munique”, de Spielberg, filme tão bom quanto sionista.É um fato sempre lembrado, sem dúvida, mas não tanto quanto os sete ouros de Mark Spitz (recorde só batido 36 anos e nove Jogos depois por Michael Phelps).

Ou a performance da soviética Olga Korbut, que redefiniu a ginástica olímpica, abriu caminho para o fenômeno Nadia Comaneci, quatro anos depois, e transformou as competições da modalidade no show que são atualmente.

Ou o hoje contestado desempenho da nadadora alemã oriental Kornélia Ender, que ganhou quatro medalhas de ouro sem saber que estava encharcada de esteroides.

E o que dizer da incrível vitória do time soviético de basquete sobre o americano — que, por si só, valeria um filme que uniria esporte, espionagem e o próprio atentado? (Terei que escrever sobre isso em outro texto, de tão sensacional que é a história),

A Favela Olímpica Eduardo Paes entrará como notinha de pé de página na história dos Jogos, pois o destaque mesmo irá, por exemplo, para a final dos 100 metros (Usain Bolt vai vencer a terceira seguida ou será batido e o vencedor entrará para os livros por ter impedido o tri?); o desempenho de Phelps (se ganha medalha, como pôde, pois será o primeiro caso de um ex-super atleta aposentado a fazê-lo); nosso time de vôlei feminino (vai se tricampeão ou perder em casa?); Arthur Zanetti confirmará o favoritismo ou o marrento campeão mundial Eleftherios Petrounias (o primeiro a empunhar a tocha que será acesa no Maracanã) vai derrotá-lo?

Em suma: ainda aposto que, nos Jogos do Rio e mesmo contra as incompetências combinadas de Município, Estado, União e iniciativa privada, o esporte vencerá de novo.

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