É bonitinho, mas dá trabalho…

Esses dias estava voltando da terapia e o taxista simpático, olhando para Antônio, logo dispara: é bonitinho, mas dá um trabalho, né? Eu sorrio sem graça e respondo meu clássico: “poizé”. Desde que engravidei fico muito incomodada com os comentários, posts, relatos sobre a extrema dificuldade em se criar filhos. Quando grávida ficava triste e preocupada com esse tipo de manifestação. “Filho é igual videogame, cada fase fica mais difícil”, é uma das que me marcou.

Na internet agora chovem relatos de mães muito cansadas, muito frustradas na busca necessária de ‘desromantizar’ a maternidade. Eu, marinheira de primeira viagem em uma gravidez não planejada, ficava com medo do que me esperava. Mas dentro de mim algo sempre disse que não podia ser tão ruim assim, que não podia ser um horror. Se fosse, não haveriam pais de segunda viagem, não existiriam pais, como os meus, que trocaram as próprias vidas pelas dos filhos.

Hoje posso dizer que, como tudo na vida, ter um bebê vai ser uma experiência tão boa ou tão ruim quanto você possibilitar que ela seja. Então tudo é lindo, maravilhoso, perfeito, um sonho de uma noite dormida 8 horas ininterruptas? Não, amiga leitora. Óbvio que não. Mas vamos tentar trocar a expressão “dá trabalho” por “exige dedicação”. Filhos exigem dedicação, amigos e trabalho também. Para amar e para viver é preciso dedicar-se. Olhar para a namorada e pensar o que ela gostaria de fazer nesta tarde de domingo, ligar para os pais e ajudá-los a fazer uma conta no Facebook mesmo que eles ainda não saibam nem ligar o computador, acordar cedo e ir dormir tarde tentando achar uma solução para aquele problema no trabalho.

Um filho exige dedicação. Muita dedicação. É desafiador, mas é aprendizado. É cansativo mas é recompensador. É incerto, mas vale pagar pra ver. Penso que muito de quem Antônio se tornará depende das experiências e ensinamentos dos quais eu sou responsável nesses primeiros anos de vida.

Ainda é cedo para comemorar. Ainda é cedo para saber se essa minha teoria se confirmará lá na frente. Sabemos que tem pais excelentes com filhos não tão excelentes e vice-versa. Que a vida nos prega peças e não podemos controlar tudo. Mas olhar a maternidade com esse prisma mais positivo, dá uma leveza, sabe? Dá vontade de continuar acordando de madrugada para amamentar, dá energia para sorrir de manhãzinha quando ele acorda, enquanto eu queria dormir outras 12 horas seguidas. E se ele tornar-se um ser humano autêntico, realizado, com convicções e lutas próprias, eu terei muito orgulho de ter feito isso da melhor maneira que eu pude com toda a dedicação que eu fui capaz.