O que tem dentro da sua #gratidão?

No incrível e nem tão maravilhoso assim das redes sociais surgiu um novo fenômeno: o uso indiscriminado da #gratidão. É muita gente nesse estado de espírito. Pernas pro ar com um lindo mar em sua frente #gratidão. Flores do mozão #gratidão. Foto do bebê dentro da gaveta de fraldas #gratidão. Trânsito na 23 de maio em São Paulo às 18h #gratidão. Tá bom, exagerei!

Eu acho importante sim sermos gratos pelas coisas boas da vida, pelos bons momentos, pequenos respiros de alívio na grande pressão em que nos encontramos sobrevivendo em tempos modernos. Mas também passa pela minha cabeça muitas vezes quando vejo essas postagens: desenvolvam! Você está grato exatamente pelo que?

E vou além, no dia a dia mesmo, no tete-a-tete não sinto essa energia da galera sabe? Vejo é muita gente de saco cheio, irritadíssima, prestes a explodir se alguém espirrar ao seu lado. Então me pergunto, será que o #gratidão está de fato inserido na nossa filosofia de vida? Conseguimos realmente observar dentro dos pequenos detalhes que devemos ser gratos, pois temos privilégios e vivemos emoções que são proporcionadas pelo relacionamento com o outro, pela convivência e ajuda mútua?

Enfim, isso tudo já vinha passando pela minha cabeça, e eu nunca utilizei a #gratidão. Não que eu não seja grata, muito pelo contrário. Mas como disse lá em cima, pra mim essa palavra tem um peso, sabe? Uma relevância. Eis que chegou o meu momento! Estou muito muito grata, e não é com o universo não, é com uma pessoa real, que eu não sei o nome, mas que tem CNPJ!

Eu fiz uma chave nova para o meu carro. Mas ela não é original. É caríssimo fazer na concessionária, então optei por uma réplica mesmo. Eis que ela caiu no chão, não uma, mas duas vezes. Parou de funcionar. A velha história do barato que sai caro. Fiz a chave na cidade que minha mãe mora, há 170km de casa. Na ocasião, foi a primeira vez que viajei sozinha com o bebê, que me proporcionou deliciosa uma hora de choro incessante durante o percurso. Então ir ao vendedor para que ele resolvesse meu problema não era uma opção.

Em meio essa chateação lembrei que tinha um chaveiro dentro de um mercado que eu passo em frente todo dia. Decidi passar lá, porque né? Vai que! Pois é, seis da tarde, com meu grudinho de 9kg no colo (vulgo meu filho), chego ao local.

Sou atendida por uma senhora. Explico a tragédia. Ela olha, olha. Começa a mexer na chave. Encaixa peça, desencaixa peça. Não funciona. Passa 10 minutos, atende cliente, o marido dela chega, expõe o problema. 40 minutos depois, chave funcionando. Quanto fica? Nada.

Isso mesmo! Pra algumas pessoas tempo não é dinheiro. E como isso é raro e maravilhoso. É bondade, sabe? Vontade de ajudar. E pude realmente sentir a gratidão em seu sentido pleno, fora das fotos em locais paradisíacos do instagram!

Fiz a cópia de uma chave lá e claro que me tornei cliente. Mas também quero deixar aqui os contatos dessa gente realmente do bem, pra quem precisar de cópias, chaves de carro, chaveiros e cia. Recomendadíssimo! É o Empório das Chaves. Fica no Wal Mart Barra Funda. 3392–5524 / 7736–0025. A eles, toda a minha #gratidão!

Ahhh! E não há problema nenhum em você ser grato ao pôr-do-sol, ok? Aliás, devemos mesmo reparar e curtir esses singelos momentos. A reflexão é apenas pra gente tentar colocar a gratidão pra dentro e não apenas na hashtag pra fora! 😉