Quais são as coisas que te fazem feliz?

Tem um famoso supermercado aqui de São Paulo que nos enfiou na cabeça o seguinte refrão: O que faz você feliz, lalala lalala la. Já sabem qual né? Pois é. Eu sou mãe, você é mãe, eu tive uma mãe, você também. E o que eu mais vejo por aí é mães que são mães, e só.

Ahhh, mas você está desvalorizando quem optou por ser mãe em tempo integral? Você acha que é fácil ser “só mãe”? Não, não e não. Aliás, somente sendo mães que descobrimos o quanto de coisa tem pra fazer nessa função. O quanto de responsabilidade carregamos e quanto tempo e energia empreendemos na criação dos filhos. Mas o que eu estou questionando aqui não é isso e sim, quem é você além de ser mãe? O que te dá prazer? O que te faz rir e sentir-se bem, além dos pequeninos?

É muito comum uma mãe se anular e se perder neste papel. Viver para os filhos. Fazer tudo para os filhos. Os filhos em primeiro lugar. Às vezes em segundo lugar vem o marido, depois a família, mas e você? Quanto de tempo você reserva para se conhecer, para fazer coisas que lhe dão prazer, além da maternidade?

No momento em que somos mães e deixamos de ser nós mesmas parece que fica tudo muito pesado. Os filhos passam a carregar a grande responsabilidade de ser o motivo da existência da mãe. Se eles estão bem, ela está bem. Se ele vai bem na prova, ela tá feliz. Mas e quando eles não correspondem? E quando eles falham ou não estão tão presentes quanto gostaríamos?

Aí o filho sente toda a pressão de não realizar a mãe. De não trazer a felicidade plena a essa mulher que dedicou a vida inteira a ele. E aí fica pesado, pros filhos e pra mãe. Daí o filho cresce, sai de casa, constroi sua família. A mãe envelheceu e sente que não sabe quem é, não tem atividades que a fazem feliz, nem sabe por onde recomeçar visto que não sabe nem que ela é.

Essa é a reflexão que eu proponho hoje. Se seus filhos são pequenininhos, como o meu, não é fácil encontrar esse tempo pra gente, né? Eles realmente demandam muita atenção e como tudo é muito novo é necessário readaptar-se. Mas que tal se desde o começo olharmos para nós mesmas. Nos colocarmos como prioridade. Para meu filho estar bem, eu preciso estar bem. É verdade que a sociedade nos cobra dedicação total e abdicação de nós mesmas na maternidade. Mas acredito que é possível seguirmos um caminho mais leve, mais prazeroso. Para isso precisamos nos colocar no foco. Entender quem somos nessa nova versão. Mães- mulheres. Mães que trabalham. Mães que leem. Mães que encontram as amigas não-mães. Mães que gostam de cinema. Mães que cozinham. Mães que estudam. Mães que namoram, que pulam carnaval, que dançam, que malham…e estão onde exatamente querem estar.

Vida real: Por aqui o baby ainda é pequenininho, então tenho consciência que temos muito desafio pela frente e que nem sempre terei tanta energia para buscar as minhas próprias descobertas e momentos de prazer, afinal às vezes o maior prazer é deitar e dormir nem que seja 30 minutinhos. Rsrs. Mas mesmo assim consigo compartilhar algumas coisas que fiz nesses quatro meses e me ajudaram a sentir que dá pra fazer muita coisa nova e manter alguns prazeres mesmo após a maternidade:
saio de casa sempre que tenho a oportunidade. Levo meu filho em uma mochilinha (canguru) que torna tudo muito possível. Já participamos de reuniões e eventos, sempre com ele a tira-colo. Quando ele começa a ficar chatinho, eu coloco imediatamente no peito pra ele descansar, e acalmar. Tem funcionado.
Propus a minha professora de ballet a criar uma aula de dança para mães com sling. Ainda não rolou, mas fica a ideia. Talvez você consiga adaptar alguns pontos para retomar as atividades que fazia antes de ser mãe.
Encontro com as amigas sempre que possível. Passo o domingo na casa de uma, a outra vem em casa em um dia livre. Minhas amigas não são mães, então falamos sobre o Antônio mas também outros um milhão de assuntos que nada têm a ver com maternidade.