O QUE MINHAS FILHAS DE 6 E 8 ANOS TEM A DIZER SOBRE SUA ESCOLINHA NO CANADÁ

Lembro do primeiro dia em que levei minhas filhas pra escola. Não sabiam um “a” de inglês. A escola dava umas 10 da “escolinha” do Brasil, em tamanho. Tudo muito grande, muito amplo, tudo gigante. Na época, elas tinham 6 e 4 anos. Confesso que até eu estava meio assustado. Mas, o que nós vimos acontecer com elas foi fantástico. Vou te contar.

Mas, segura aí. Antes disso tudo, vale dizer que: a escola deveria ser a mais próxima de onde iríamos morar. Pra tanto, alugamos algo primeiro e depois corremos atrás da escola. Assim, com o passaporte, o visto e o contrato de aluguel fomos matricula-las. Blá blá blá, perguntei:

Eu: “Como pego a lista de material?”

Secretária com cara de what?!: “Não tem lista de material”!

Eu: “Uniforme?”

Secretária olhando um alienígena: “Não tem uniforme”!

Eu: “Mensalidade?”

Secretária já bufando: “Que mensalidade, cara pálida?”

Eu: “Onde te beijo?”.

Assim começamos essa love story, com mochilinhas, lanchinhos e muitas emoções. Neste primeiro dia pude levá-las até à sala de aula, e conhecer um pouco da escola por dentro. O que é aquilo, minha gente?! Até cantei (ou dublei) o hino do Canadá com as crianças, minhas filhas também. Virei as costas e vim embora, pensando: a ficha vai cair.

Você deve estar se perguntando: mas, se elas não falavam inglês, como sobreviveram? Eu digo: bem melhor que nós. Crianças não tem dessas de “vergonhinha”, não. Quer saber o que faziam? Falavam em português mesmo. Português pra cá, inglês pra lá. Muitos gestos, muita mímica, muitas risadas, muitos novos amiguinhos gringos.

As escolas de Toronto, pelo menos, já estão calejadas nesta questão do ensino de inglês como segunda língua. Afinal de contas, a maioria da criançada vem de tudo quanto é parte do mundo. As minhas eram as únicas brasileiras do pedaço. Pra tanto, no começo, as professoras se valeram até de um Google Translator pra trocar ideias com elas. Assim, todo mundo se entendia sem problemas.

Logo, tivemos a nossa primeira reunião da escola. Quase chorei, de alegria. Em três meses minhas filhas já não queriam assistir desenhos em português, agora só em inglês. Três-me-ses. Fomos descobrir o que estavam fazendo com elas? Seria magia? Feitiçaria? Lavagem cerebral? Nada disso, simplesmente um sistema de ensino que valorizava a criança e seu contexto como um todo — um ensino total force.

O que isso significa? Significa salas de aulas gigantes; nada de mesinhas uma atrás da outra; muitos livros por todos os lados; muitos brinquedos educacionais; muita fonética; muito som; muita música; muitas cores; muita valorização de cada gesto dos alunos; muitas atividades físicas (lê-se: três recreios por dia, mesmo no mais duro inverno canadense); muita tecnologia (lê-se: iPads); nada de provinhas e testes e caligrafias e estas porcariadas todas; reconhecimento de valores éticos, morais e comportamentais; ensino de tecnologia, ciências, segurança, primeiros socorros, francês, livros, livros e livros e… lágrimas, minhas. Thanks God!

Na verdade, um imposto muito bem aplicado. Só isso. A única vez que tive que dar uma graninha pra escola foi $10. Sabe pra quê? “Papai, é pra ajudar o Terry Fox ajudar a acabar com o câncer”. Vou eu dizer não? Sabe aquele School Bus amarelão dos filmes? De graça. Não precisava usar, mas…. de graça. Três professores por sala. Daí a ficha caiu: elas nunca, mas nunca mesmo, reclamaram de ir pra escola. Era o prazer de aprender. Aprendemos isso.

Daí chega este dia, o dia em que suas filhas corrigem o seu inglês. What?! O dia em que sua preocupação é não deixar o português desaparecer da cabecinha delas; o dia em que elas cantam as músicas do rádio com uma facilidade bizarra; o dia em que elas começam a ler livros em inglês; o dia em que o “i” vira “ái” e o “e” vira “i” e daí você já não sabe mais nada; o dia em que sua filha começa a cantar Cindy Lauper pra você, daí…. você pensa: vale a pena.

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