O mágico do metrô

Lá no fundo do vagão do metrô te vi.

Cabelos longos, barba grande e bem aparada.

Uma camisa estampada, com cores e desenhos que hipnotiza.

E como uma hipnose vi você em um ritmo só seu, embaralhando cartas do baralho como um daqueles mágicos de shows que lotam Las Vegas e que todos nem piscam vendo cada passo de suas jogadas.

E assim também fiquei. Vidrada. Não sei se foi pelo dedilhar das cartas, se foi você de olhos fechados acompanhando cada movimento seu como um compasso de uma sinfonia.

Tive vontade de saber seu nome. O que você faz. Seus sonhos. Seus amores e ex-amores. Sua história.

Mas percebi que assim que a gente descobre o truque, a magia acaba.

Então fiquei só a admirar. A alimentar o mistério. A não querer quebrar a magia.

E vi você pegar suas cartas.

Sua mochila.

E levar sua magia embora.

Mas seu brilho ficou.

E a certeza que foi um belo espetáculo. Digno de aplauso.

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