Revertério

De tudo se leva um fruto. 
E de tantas plantei que tantas colhi, de tanta terra que pisei muitos passos ficaram e no fim só sobrou a fruta do que eu espalhei e floresceu.
A fruta mordida nem sempre tem o sabor suculento de um amor tranquilo como diz Cazuza e pode ser difícil digerir, amarga a boca, desce seco.

Na liberdade escolhida existem várias prisões nas quais a sentença aumenta de acordo com a intensidade da vivência. E existe liberdade ou existe a possibilidade de escolher prisão?

No coração que se julga blindado começam a aparecer arranhões que só se percebe depois do acúmulo de vários. Dos arranhões brotam trincas e das trincas o cuidado para que não quebre o que já é remendado.

De cada amor começa a se herdar o cinismo, do corpo começa a se perceber a alma.

E no fim de tudo que se vive surge o revertério, mediante a ele, não existe rico nem pobre, preto nem branco, rei nem plebeu, são todos iguais. E o que fazer com ele ninguém ainda sabe, nem mesmo os divãs, nem as cápsulas benzodiazepínicas. Só resta enfrenta-lo, deixar passar e pacientemente aguardar o próximo.


E para escutar enquanto não passa: https://www.youtube.com/watch?v=dy2TsEk-ZfA

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