Memorações ressentidas de um coração cheio de rim | #1 — Palomita

Palomita era pombinha rola, assim como nos sugere a tradução castelhana. Era, palavras de um nobilíssimo amigo, “uma versão pocket e melhorada [que deus me perdoe!] de Narcisa Catarina” — minha ex-mulher. Moreninha casi cor de canela, tatuada, descolada, estudante ferrenha de Jung, digital influencer inveterada de pelos enormes e finos nas axilas. Palomita tinha um jeito cênico — francês! — para cigarrilhas e enrolados de marijuana.
Cá comigo penso que devia ser doce amargo de provar… aquela zarabatana em forma de minimulher.
Tive a oportunidade de dançar com Palomita certa vez, num baile distinto, de gente distinta. Lembro como fosse hoje: as pernas de Palomita, pernas de rã adulta, apertavam às minhas qual um alicate que tem sua parte dura envolta em E.V.A, feito aqueles sofás que são quase duros mas… confortam! Nesse dia eu queria tê-la beijado… e depois, outrora, quem sabe?, passear de mãos dadas pelas praças da cidade, antes de irmos almoçar juntos no Restaurante do Jardel. Inclusive, eu já havia dividido mesas com ela e com Janaína Mertens (uma amiga ainda hippie que eu conhecera nas aulas de meditação guiada). Algumas vezes, nesses almoços, ela, Palomita, ria de minhas piadas de homem sensível, e eu pensava que, com minha picardia, estava a abrir trilha para um paraíso ainda desconhecido… Ledo engano!
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Hoje só me sobram os nightmare: Palomita cantando Gayngs ao violão numa sala semi-iluminada; eu, o Mascarenhas e sua pequenina sobrinha… beijos doces… e despertares oníricos… Palomita avuou!
