Escritor, sim!

No decorrer desta semana senti vontade de escrever novamente, mas era vencido por uma certa forma de indisposição. Minha intenção era escrever a respeito de minhas impressões do filme Five Easy Pieces (lançado por aqui como “Cada um vive como quer”, porém nem me dava ao trabalho de começar a faze-lo, escondido atrás de desculpas como falta de tempo, a redação do TCC de minha pós-graduação e a eventual falta de interesse de leitores, como já citado em minha retrospectiva de 2016.

Os dois primeiros eram mentira, pois era bem possível achar tempo, principalmente se eu diminuísse o tempo gasto vendo bobagens no Twitter e no Facebook. Quanto ao terceiro, surgiu um post muito adequado do inspirador Rodrigo Gurgel. Era algo breve, publicado em sua página do Facebook e oportuno para meu protelamento. Ele escreveu o seguinte:

“Imagino uma situação ideal: um homem que, na juventude, sonhou ser escritor, mas não conseguiu. Não lhe faltou vontade, mas os acontecimentos da vida o impediram. Ele, contudo, no silêncio do seu quarto, depois que a família dormia, todas as noites escreveu um pouco. Caderno após caderno, de diferentes formatos, cores e espessuras, ele anotou, com seu olhar perspicaz, a vida cotidiana. Suas derrotas e vitórias, o nascimento dos filhos e a morte de entes queridos, suas alegrias, os sinais de envelhecimento, as doenças, o amor por sua esposa, os erros que cometeu. São dezenas de cadernos escondidos nas gavetas do velho armário. Dentre seus netos, uma menina gosta de escrever — e ele vê repetir-se nela o mesmo amor que alimentou pela escrita. Um dia, quando a jovem está madura para entender a vida, ele a chama no quarto, mostra seus cadernos e conta-lhe seus sonhos de juventude. Tudo está ali. Uma vida inteira, como um longo romance. Avô e neta sabem: ele é um escritor. Ele realizou seu sonho. Diante dos cadernos espalhados pela cama, a jovem sabe outras duas coisas: que aquelas palavras esperavam por ela; e que o essencial é escrever, não publicar.”

Escreve-se pelo prazer da escrita, pela inspiração e emoção que podem ser transmitidas, pelo registro dum momento ou de uma visão de mundo. Pela catarse libertadora ou pela necessidade de atacar, quando as mãos são mais hábeis com letras do que com armas. Também se escreve pela reputação, pela riqueza e pela glória, embora “apenas um francês seria capaz disso”, citando Schopenhauer.

Enfim, voltarei a escrever. Sobre um pouco de tudo: o filme citado acima, personagens de minha história, pequenos fragmentos de lembranças; sobre meu gato e outros temas quase tão importantes quanto ele. Os posts ficarão por aqui, à disposição de quem buscar seu conteúdo e suas hashtags.