Os melhores livros que li em 2017

Pra fazer essa lista eu não defini um número ou separei livros em gêneros. Apenas removi os outros livros até que achasse que não dava pra tirar mais nada. A ausência na definição do que chamei de “melhor” é proposital.

Estação Carandiru. A prosa enxuta e direta de Dráuzio Varella não cansa em momento nenhum. É mais fácil terminar o livro de um fôlego só do que achá-lo enfadonho. Quero mais. As histórias do livro, que frequentemente levam o nome de alguém, fazem pensar em como as pessoas encarceradas parecem com a gente. Elas têm família, amigos, amores e às vezes só precisaram que um aspecto da vida saísse dos trilhos pra que fossem parar na cadeia.

Homens Imprudentemente Poéticos. Talvez Valter Hugo Mãe tenha sido a minha melhor descoberta literária do ano. Durante toda a leitura tive a sensação de que cada palavra estava onde estava por uma razão. Cada frase parece ter sido escovada até que não houvesse mais o que melhorar. Algumas cenas são de uma beleza estarrecedora. O resgate do poço e a última vez que a criada pergunta onde a menina cega está são de marejar os olhos. Terminei o livro na certeza de que voltaria pra uma releitura.

Daytripper é um quadrinho de Fábio Moon e Gabriel Bá. Não vou falar mais nada pra não comprometer a experiência da leitura. Tenho inveja de quem ainda pode ler esse quadrinho pela primeira vez.

Dercy de Cabo a Rabo, de Maria Adelaide Amaral. Talvez pra a maioria das pessoas que tem a minha faixa etária Dercy Gonçalves seja apenas a lembrança distante de uma velha que falava palavrão nos domingos à tarde. Dercy Gonçalves foi muito mais. Por querer ser artista, foi chamada de puta antes de saber o que era sexo. O mundo todo não foi suficiente pra impedir que ela fizesse o que queria fazer e fosse quem queria ser. Essa foi a melhor biografia que li nesse ano de muitas biografias.

The 7 Habits of Highly Effective People, de Stephen Covey. Apesar no nome horrível, o livro tem umas lições úteis pra quem tá disposto a mudar o próprio comportamento. Não leia se não estiver disposto a botar os hábitos em prática.

As Alegrias da Maternidade, de Buchi Emecheta. Trata-se de um romance sobre o papel de uma mulher numa Nigéria dividida entre os costumes trazidos pelos colonizadores ingleses e as tradições milenares locais. Imperdível pra quem quer sair da bolha ou fugir do mainstream. Quantos romances de uma mulher nigeriana você já leu? O que sabe dizer sobre a Nigéria? Esse livro me fez pensar se não sou um filho ingrato. O título do livro, lógico, é carregado de ironia.

A Guide to the Good Life, de William Irvine. O livro mais importante que li esse ano, o que mais me fez refletir, o que mais me mudou. O segundo encontro com o estoicismo foi mais impactante (o primeiro tinha acontecido há anos por causa de “Sobre a brevidade da vida”, de Sêneca) e teve efeitos mais duradouros. Talvez pareça contraditório que um livro de filosofia traga mudanças tão práticas para a vida, mas esse livro foi me transformando desde as primeiras páginas. Há meses não passo um dia sem pensar em estoicismo e filosofia.

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